‘Explosão’ da noite cuiabana esconde recuperação lenta de bares e restaurantes

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Com opções para todos os gostos, a explosão culutral da noite cuiabana ainda esconde uma realidade dura para o setor de bares e restaurantes. Mesmo apostando na criatividade para atrair os clientes de volta, 90% do setor ainda não conseguiu se recuperar dos prejuízos causados pela pandemia de covid-19, segundo aponta a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Mato Grosso (Abrasel-MT), Lorenna Bezerra.

Entre 2020 e 2022, foram cerca de 18 meses de bares e restaurantes de portas fechadas, como parte das medidas sanitárias para conter o vírus, o que culminou em uma conta alta para os proprietários.

“Ocorre que nós temos memória muito recente e, quando vemos os restaurantes funcionando, nos esquecemos ou não temos noção dos prejuízos que ficaram acumulados. Noventa por cento dos bares e restaurantes ainda estão pagando a conta desses 18 meses de restrição e até mesmo fechamento, especialmente aqueles que trabalham à noite”, lamenta Lorena Bezerra.

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A retomada lenta, no entanto, já era esperada pelos representantes do setor, mas a expectativa não era de que os insumos que permitem o funcionamento dos estabelecimentos sofressem uma alta tão grande de preços. Em 12 meses, até fevereiro de 2022, só os alimentos, por exemplo, acumularam alta de 12,6% — segundo estudo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

“Quando vemos os restaurantes cheios, os bares movimentados, temos a sensação de que foi sempre assim. Mas esse movimento é muito recente. Precisamos considerar que o preço dos insumos aumentou muito e fechar a conta no azul fica mais difícil. Além disso, muitas dívidas ficaram para trás: impostos, aluguéis, dívidas trabalhistas”, pondera a presidente da Abrasel.

Se por um lado a alta de preços não colabora, o perfil do cuiabano continua o mesmo: noturno. A segurança das vacinas e a flexibilização das medidas facilitam a retomada desse comportamento.

“O cuiabano é um povo muito noturno e que gosta de sentar em locais ao ar livre, com mesas na calçada. A população está saindo de casa porque está com saudade de se relacionar, o que é muito positivo”, comemora Lorenna.

Fonte: Hipernotícias