
Uma pesquisa científica desenvolvida no subsolo da área tombada de Cuiabá está trazendo à tona detalhes inéditos sobre a formação da capital.
Mais de duas mil peças, entre fragmentos de louças finas, cerâmicas artesanais, metais e tecidos, foram retiradas de áreas residenciais antigas.
O trabalho integra o projeto “Alma Cuiabá”, coordenado pelo Instituto de Geografia, História e Documentação (IGHD) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Diferente dos registros oficiais que priorizam figuras políticas e a elite da época, a investigação arqueológica foca nos quintais de casarões históricos, como a antiga sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), localizada na Rua Sete de Setembro.
Conforme o historiador Eduardo Daflon, esses espaços externos eram o centro das atividades domésticas e de descarte, funcionando como arquivos naturais da rotina de grupos que não aparecem nos livros de história, como escravizados e trabalhadores comuns. Veja o post:
As escavações revelaram uma clara divisão social marcada pela geografia da cidade. De um lado do antigo Córrego da Prainha, foram encontrados vestígios de artigos de luxo, como porcelanas chinesas e exemplares portugueses.
Do outro, na região da Igreja do Rosário e São Benedito, área historicamente ligada a negros libertos, surgiram cerâmicas locais com traços de técnicas indígenas e africanas.
Para os pesquisadores, os objetos humanizam o passado, permitindo que a população compreenda o Centro Histórico não apenas como arquitetura, mas como um território de memórias e afetos. (Repórter MT)




