A previsão de um El Niño considerado o mais forte em cerca de uma década acende um alerta para o agronegócio mundial e para o bolso do consumidor. Especialistas apontam que o fenômeno climático deve provocar mudanças significativas no regime de chuvas e temperaturas, afetando diretamente a produção de alimentos em diversas regiões do planeta.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o que altera padrões climáticos em escala global. Entre os principais efeitos estão períodos de seca em algumas regiões e chuvas intensas em outras, comprometendo lavouras e reduzindo a produtividade agrícola .
De acordo com análises recentes, o evento previsto para 2026 pode trazer condições mais quentes e secas em áreas importantes da Ásia e da Oceania, enquanto partes das Américas devem enfrentar excesso de chuvas . Esse desequilíbrio climático tende a prejudicar culturas como arroz, soja, milho e trigo, além de commodities como óleo de palma e açúcar.
Historicamente, episódios fortes de El Niño já causaram perdas relevantes no campo. O evento de 2015-2016, por exemplo, provocou secas severas em regiões produtoras e reduziu a oferta global de grãos e oleaginosas . Ao mesmo tempo, chuvas intensas em partes da América do Sul chegaram a comprometer colheitas.
Além do impacto direto na produção, o fenômeno também costuma pressionar os preços dos alimentos. Estudos indicam que eventos de El Niño podem elevar os preços globais das commodities alimentares, com aumentos que podem chegar a cerca de 9% em cenários mais intensos . Isso ocorre porque a redução da oferta, somada a custos mais altos de produção, afeta toda a cadeia de abastecimento.
Outro fator que agrava o cenário é o aumento nos custos de insumos agrícolas, como fertilizantes e combustíveis, que já enfrentam instabilidade no mercado internacional. Com menos produtividade e maior custo, produtores podem reduzir o uso de insumos, ampliando ainda mais o risco de queda na produção.
Diante desse cenário, especialistas alertam para possíveis reflexos na inflação global de alimentos e na segurança alimentar, especialmente em países mais dependentes da agricultura e de importações. O comportamento do fenômeno ao longo dos próximos meses será decisivo para medir a intensidade dos impactos no campo e na economia. (Folha do Estado)





