Desistência de Ratinho Jr. para a presidência, faz nome de Caiado ganhar força

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Aline Massuca/Especial Metrópoles; Rafa Neddermeyer/Agência Brasil; Luis Nova/Especial Metrópoles

Aliados do presidente do PSD, Gilberto Kassab, avaliam que a saída de Ratinho Júnior. da disputa pela candidatura do partido à Presidência pode abrir espaço e fortalecer o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na corrida pela vaga. A disputa agora se concentra entre o goiano e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Caiado, segundo dirigentes, é quem tem mais chances de ser escolhido.

Ratinho era o nome preferido de Kassab para encabeçar a primeira candidatura do PSD ao Planalto. O governador do Paraná, no entanto, enfrentava resistências tanto no âmbito familiar quanto em seu grupo político no estado.

Segundo aliados, a família de Ratinho Júnior já sinalizava desconforto com a possibilidade de ele disputar a Presidência. Nas últimas semanas, também cresceu a preocupação dentro de seu núcleo político com a sucessão no Paraná.

O governador tem adiado a definição do nome que representará o PSD na eleição estadual de outubro, o que pode levar ao aprofundamento de um racha em sua base aliada. Interlocutores também avaliam que a pressão do PL para que ele desistisse da candidatura, somada ao anúncio de que Sergio Moro pretende disputar o governo do Paraná pelo partido, também pode ter pesado na decisão.

Com a saída de Ratinho Júnior, o PSD passa a ter dois nomes cotados para a disputa presidencial: os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Antes da desistência, Kassab havia indicado que anunciaria o escolhido até o fim de março. Dirigentes do PSD esperam que o prazo seja mantido.

Criado em 2011, o PSD ensaia lançar, pela primeira vez, uma candidatura própria à Presidência da República. A sigla comandada por Gilberto Kassab já tentou se viabilizar na disputa pelo Planalto em 2018 e 2022. Agora, dirigentes avaliam que o caminho “parece estar” mais pavimentado.

Um dos fatores que alimentam esse cenário, segundo aliados de Kassab, é a tendência de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), buscar a reeleição. Nos últimos meses, o presidente do PSD sinalizou preferência pelo nome de Tarcísio para a corrida presidencial, mas deixou claro que lançaria um candidato próprio caso o paulista opte por permanecer no Palácio dos Bandeirantes.

Histórico de apoios

Por trás da estratégia de se apresentar como uma opção de “centro”, dirigentes veem também a intenção de Kassab de evitar atritos e posições com os polos mais extremos da política. No atual governo Lula, o PSD mantém três ministros: Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca). Ao mesmo tempo, Gilberto Kassab ocupa a Secretaria de Governo de Tarcísio de Freitas.

A estreia do PSD em uma eleição presidencial ocorreu em 2014, quando a legenda apoiou a reeleição de Dilma Rousseff (PT). Desde então, o partido integrou todos os governos, comandando ministérios ou secretarias.

PSD nas eleições presidenciais

O PSD, que foi criado em 2011, participou pela primeira vez de uma eleição presidencial em 2014. Na estreia, com articulação de Kassab, a sigla apoiou a campanha de Dilma Rousseff (PT) à reeleição. Quatro anos depois, o partido ensaiou lançar Guilherme Afif como candidato próprio ao Planalto, mas recuou.

No primeiro turno de 2018, o PSD acabou apoiando a candidatura de Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB. No segundo turno, a sigla decidiu manter neutralidade.
Em 2022, mais uma vez, o partido tentou lançar o senador Rodrigo Pacheco (MG) à Presidência. Apesar do apoio de Kassab, o mineiro optou por não disputar o pleito.
Sem candidato próprio e diante de uma polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), o PSD deliberou — outra vez — pela neutralidade.

Apesar do vaivém, o PSD ocupou ministérios ou secretarias nos governos Dilma 2, Michel Temer (MDB), Bolsonaro e Lula. A legenda elegeu, em 2024, o maior número de prefeitos do país (887) e trabalha para ampliar as bancadas no Congresso neste ano.

Segundo turno fica para depois

Além da definição da chapa, o PSD também deve discutir mais adiante qual será a posição em um eventual segundo turno sem candidato próprio. Parlamentares avaliam que, diante dos movimentos recentes de Kassab, a sigla pode acabar apoiando uma candidatura adversária de Lula.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) sinalizou, no entanto, que os diretórios locais devem ter liberdade para definir os palanques a despeito do posicionamento nacional da sigla.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, é o principal responsável pelas articulações para uma candidatura própria ao Planalto. Aliados dizem que a decisão sobre o nome deve ser tomada pela cúpula do partido até abril

Uma das maiores forças partidárias do país, o PSD também aposta no crescimento da bancada no Congresso em 2026. Internamente, há a avaliação de que os nomes hoje ventilados para a disputa presidencial podem ser lançados ao Senado, com o objetivo de reforçar a presença da legenda na Casa.

Atualmente, a sigla tem a segunda maior bancada no Senado e ocupa a quinta posição na Câmara dos Deputados.

Para financiar uma eventual campanha presidencial e as candidaturas ao Congresso, o partido deverá contar com a quarta maior fatia do fundo público de financiamento de campanhas e do tempo de propaganda em rádio e televisão. Nos cálculos internos, a sigla estima receber cerca de R$ 400 milhões do chamado “fundão” em 2026. (Página Única)