A quadrilha ligada ao Comando Vermelho, alvo da Operação Ruptura CPX, na manhã desta terça-feira (31), tinha dois objetivos: dominar regiões e impedir a atuação das forças de Segurança Pública. O grupo criminoso foi desmantelado durante uma ação conjunta da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Durante a operação, 13 bandidos foram presos, a partir do cumprimento de ordens judiciais, na área metropolitana de Cuiabá (Capital e Várzea Grande) e na cidade de São Paulo.
Em coletiva de imprensa, o delegado Antenor Pimentel, da GCCO e responsável pelas investigações, informou que a região que estava no alvo do grupo criminoso era o Complexo Residencial Isabel Campos, em Várzea Grande.
Segundo ele, o plano era tornar área parecida o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
O Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, é um grande conjunto de cerca de 14 a 26 comunidades, com mais 200 mil pessoas.
O local é historicamente marcado por altos índices de violência e operações policiais. O Comando Vermelho é a facção dominante na região, segundo o Mapa da Violência.
Divulgação/PJC

O Complexo Isabel Campos, em Várzea Grande, era o alvo do Comando Vermelho, na tentativa de obter domínio de território, na área metropolitana de Cuiabá
No Isabel Campos, conforme a Polícia Civiil descobriu, a facção já possuía sua estrutura, com “disciplinas” e monitoramento da presença dos policiais.
“Naquele local, se percebia que alguns contratos eram passados pelo crivo do disciplina do local. Tinha comunicação com alguns moradores para botar nos grupos daquele local qualquer policial que chegasse. Tinha as orientações nesse sentido”, disse o delegado.
Antenor Pimentel, no entanto, destacou que a organização criminosa não obteve êxito na empreitada.
“Desconhecemos algum local onde a polícia não entre. Em todos os locais, a Polícia do Estado de Mato Grosso entra. Contudo, o que acendeu o alerta nessa investigação foi a tentativa”, observou.
LIGAÇÃO DIRETA – O funkeiro Odanil Gonçalo Nogueira da Costa, o “MC Mestrão”, foi um dos principais alvos da Operação Ruptura CPX.
De acordo com o delegado Antenor Pimental, o músico, que foi preso, exaltava o Comando Vermelho em suas apresentações e nas redes sociais, bem como tinha ligação direta com a cúpula da facção.
“No contexto da investigação, já se aproximou mais da promoção da facção criminosa”, disse.
“Além de esse MC ter diálogos privados sobre práticas de roubos violentos, onde os criminosos falavam que tinham amarrado as vítimas, batido, torturado, tratando isso num ambiente de total normalidade, eles combinavam onde que iam guardar os veículos, se ia comprar, se ia vender”, afirmou Pimentel.
A facção tentou até um clipe musical com Mestrão, no Complexo do Alemão. (Diário de Cuiabá)





