O cuiabano Vitor Borges concluiu, neste sábado (7), uma das maiores provas de águas abertas do país, percorrendo quase todo o litoral oceânico do Rio de Janeiro. Foram 50 quilômetros, milhares de braçadas e uma estratégia milimétrica, com a marca de 13h35min, ele se tornou o 7° nadador a realizar tal feito. Para o atleta ultramaratonista, a conquista vai além do pódio pessoal, é uma mensagem para sua terra natal.
“É motivo de muito orgulho levar ao meu Estado um exemplo de alguém que é ‘gente como a gente’: que trabalha, cuida da filha, da família, e consegue encontrar motivação para um desafio desses. No nosso Estado, somos carentes desses exemplos”, desabafou Vitor ao HNT após a prova.
Vitor dividiu a prova em três blocos mentais para suportar o desgaste. O trecho final, de 14 km entre o Pontal e a Barra de Guaratiba, foi o mais desafiador. Faltando apenas 2 km para o fim, o mar testou o atleta com uma forte correnteza contrária.
“Não tinha mais volta. Dei tudo que eu tinha guardado de energia. Quando contornei a última pedra [Ilha do Frade], a história já estava sendo escrita”, relembrou.
RAÍZES CUIBANAS, TREINO EM NITERÓI
Apesar de ser “cuiabano do pé rachado”, nascido na icônica rua General Melo, Vitor mora no Rio de Janeiro desde 2007. Seus treinos, curiosamente, são feitos em grande parte em piscina, sob a orientação dos técnicos Ricardo Rosa e Ricardo Ratto, referências nacionais na modalidade.
Desde 2021, ele vem subindo o sarrafo, ao começar com 23 km, encarar os 36 km do tradicional “Leme ao Pontal” e os 76 km da Volta à Ilha Grande (em revezamento). Os 50 km solo deste fim de semana consagram sua trajetória como ultramaratonista.
Questionado sobre o próximo limite, o nadador brinca que a prioridade agora é “dormir e hidratar”, mas os planos para o futuro já estão traçados. Vitor pretende completar a Tríplice Coroa da LPSA (Leme to Pontal Swimming Association). Para alcançar o título máximo da associação, resta apenas a prova de 16 km entre o Leme e a Barra da Tijuca.
“Para quem já nadou 36 km e 50 km, esses 16 km serão os mais fáceis do trio”, diverte-se o atleta, que agora descansa com a sensação de missão cumprida e o orgulho de Mato Grosso no peito.
(HNT)





