O juiz da 9ª Vara Cível de Cuiabá, Gilberto Lopes Bussiki, despejou o casal de “pastores fake”, Flávio Leite Martins Mendes e Marina Mascarenhas Baricelli Mendes, de dois imóveis na Capital “adquiridos” de um empresário por R$ 2 milhões, mas que não foram pagos pelos golpistas.
Segundo informações do processo, 8 cheques teriam sido utilizados pelo casal para a compra dos imóveis, no início de 2022. Quando o empresário que vendeu os bens foi compensar o cheque, eles não tinham fundos.
“Os requeridos se comprometeram ao pagamento de R$ 2.000.000,00 pelos imóveis descritos nas letras ‘b’ e ‘c’, mediante 8 cheques pós-datados emitidos pela empresa Zion Interprise, e que, por força do parágrafo único da cláusula terceira, houve pactuação de imissão na posse a partir da assinatura, em condição precária, até a quitação integral”, diz trecho do processo.
O juiz Marcelo Bussiki revelou em sua decisão, publicada na última quarta-feira (25), que os réus sequer buscaram defesa nos autos, sendo representados pela Defensoria Pública.
“A requerida não trouxe aos autos qualquer elemento concreto apto a infirmar a narrativa e a prova documental apresentada pelo autor. Não há, do lado réu, versão fática alternativa, impugnação específica de autenticidade ou veracidade dos documentos, demonstração de pagamento, justificativa contratual para sustação, prova de quitação parcial, renegociação ou qualquer fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito, cuja comprovação competiria aos requeridos”, analisou o magistrado.
Além do despejo – ou seja, o retorno da posse dos imóveis ao empresário -, o casal também foi condenado ao pagamento de uma multa de 10% sobre o valor do negócio (R$ 2 milhões), e também uma taxa de 0,5% ao mês sobre a aquisição dos bens, da imissão na posse até o despejo.
Desde o início de 2023 FOLHAMAX vem denunciando o casal – que se passava como pastores da igreja neopentecostal “Paz Church”, em Cuiabá.
Flávio Leite Martins Mendes costumava gravar “mensagens religiosas” e de “superação” em suas redes sociais. Numa delas, ele diz esperar as pessoas no “topo” – sem revelar se o “topo” seria o da pirâmide financeira, da qual já foi inclusive condenado. “Bora para o topo. Os desafios são para nos fazerem mais fortes”, diz ele ao lado da esposa num vídeo.
Diversos boletins de ocorrência foram elaborados a partir das denúncias das vítimas do casal, que também responde a ações no Poder Judiciário. Além da Zion Enterprise, outra organização que é recorrente nas denúncias, e que faria parte do “Ecossistema” de empresas fantasmas utilizadas no golpe, é identificada como Zion Go Smart Business.





