Cáceres teve 49 mortes por guerra de facções: ‘Querem dominar pelo terror’

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Nos últimos anos, uma guerra de facções assola o município de Cáceres (a 225 km de Cuiabá). Conforme o delegado Higo Rafael, titular da Delegacia Regional da cidade, 2025 foi o ano mais violento no município, com 54 homicídios – sendo grande parte deles provocado pela briga pelo poder.

Em entrevista ao RD News, o delegado explica que a guerra começou em 2022, quando o Primeiro Comando da Capital (PCC) percebeu que Cáceres, pela proximidade com a Bolívia, é uma das cidades-rota para o tráfico internacional de drogas. “Por conta da fronteira com a Bolívia, quem ‘domina’ o território ganha força no tráfico e em outras ações na região”, salienta. O Comando Vermelho (CV) já tinha essa visão antes e já estava estabelecido na cidade.

Para dominar a cidade, o PCC passou a realizar vários ataques ao CV. Naquele ano, segundo o delegado, foram 42 mortes na cidade, a maioria por conta da guerra das facções. Em 2023 e 2024 foram intensificados os trabalhos de segurança pública e várias operações policiais foram deflagradas para conter a escalada da violência. O índice foi reduzido para menos de 30 homicídios por ano.

 

No entanto, em 2025, a trégua acabou e o Comando Vermelho decidiu redominar a cidade por completo. “Então, em 2025 volta essa onda de violência e nós temos 54 homicídios no ano. Tem outros crimes, mas a maioria é de facção. Dos 54, 49 é de facção. 90% dos homicídios é por guerra de facção criminosa”, conta o delegado.

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Delegado Higo Rafael,  titular da Delegacia Regional de Cáceres

“O CV começou com uma ofensiva para matar todo mundo do PCC. Tanto que as lideranças do PCC já foram embora, elas fugiram. Agora eles ficam matando usuários de drogas, traficantes, para criar o terror. É do tipo: ‘Ou você vende/usa minha droga ou então você vai morrer. Estão dominando pelo terror”, explica.

Como já publicado pelo RD News, apenas nos primeiros 20 dias de 2026, quatro homicídios já foram registrados em Cáceres (a 220 km de Cuiabá) por causa da guerra de facções.

Para Higo Rafael, a Polícia Militar faz o trabalho ostensivo, a Polícia Civil faz o trabalho de investigar e prender os envolvidos, mas as forças de segurança também precisam da ajuda do Poder Judiciário para punir os criminosos.

“Não adianta só a gente prender e representar na Justiça contra eles. Precisa do Ministério Público, do Poder Judiciário. As instituições tem que estar alinhadas com o mesmo objetivo”, completa. (RD News)