Mato Grosso está mobilizado contra o crime em uma de suas cidades. O Governo do Estado reforçou o efetivo das forças de Segurança em Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá), nesta terça-feira (20). Policiais civis e militares estão no município em uma força-tarefa que integra a Operação Força Total, para combater as facções criminosas no município.
A medida se dá após a divulgação de uma informação falsa sobre um suposto toque de recolher imposto por faccionados, que estava gerando medo entre os moradores da cidade.
Um casal responsável por divulgar o comentário foi identificado e vai responder pelo crime de apologia de crime. O anúncio foi atribuído à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em Cáceres, a facção dominante é o Comando Vermelho (CV), segundo o Fórum da Violência
“Determinamos o reforço do efetivo em Cáceres porque não toleramos qualquer tentativa de intimidação por parte de facções criminosas. As forças de segurança estão atuando de forma integrada para garantir resposta rápida à população, combater a criminalidade e restabelecer a ordem no município”, afirmou o secretário de Estado de Segurança Pública, coronel PM César Roveri.
As novas equipes vão atuar no policiamento preventivo e ostensivo, bem como em ações de inteligência e investigação de homicídios e outros crimes relacionados a faccionados.
A Operação Força Total é formada por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), Companhia Raio de Motopatrulhamento e Regimento Montado (Cavalaria), além das equipes de Inteligência e de investigações qualificadas da Polícia Civil.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Fernando Tinoco, e a delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel, estiveram em Cáceres por determinação do governador Mauro Mendes nesta terça-feira.
“Em Cáceres, a questão da criminalidade não é uma deficiência no número de policiais. Já estávamos dando prosseguimento às operações que realizamos durante 2025, com Bope, Rotam e outras unidades especializadas. São operações que agora estão sendo reforçadas por mais equipes e que, no mínimo, vai se estender por mais 90 dias, para que possamos dar resposta à população”, apontou o comandante da PM.
A delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel, destacou que os policiais de inteligência designados para Cáceres vão intensificar as investigações qualificadas, ou seja, focar em diferentes técnicas e estratégias para a produção de provas criminais.
“A presença desses policiais reforçará as ações da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cáceres, unidade que se mantém ativa no município, com diversas operações e investigações em andamento”, disse.
BALANÇO – Em 2025, o 6º Comando Regional da Polícia Militar realizou, em Cáceres, 116 operações que resultaram em 176 prisões de faccionados e na apreensão de 132 armas.
A Polícia Civil realizou 55 operações na região de Cáceres em 2025, sendo que 24 delas foram voltadas especificamente contra facções criminosas, com 78 prisões de faccionados, além da apreensão em flagrante de 75 menores por ato infracional.
FACÇÕES – Reportagem publicada pelo DIÁRIO, em 15 de dezembro do ano passado, revelou que, em Mato Grosso, ao menos 42 dos 142 municípios estão sob o domínio de uma ou mais facção criminosa.
De acordo com dados do estudo “Cartografias da Violência na Amazônia”, divulgado no dia 11 daquele mês, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto Mãe Crioula, 27 dessas cidades mato-grossenses contam com apenas um grupo e, nos 15 restantes, há pelo menos dois.
Entre as facções identificadas, constam as presenças do Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Tropa Castelar e do B40.
O grupo B40, criado em São Luís (MA), foi noticiado pela primeira vez em 2025o no Estado, com membros em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres.
No entanto, o CV é a facção hegemônica no território mato-grossense e está presente de forma única em 23 municípios, entre eles, Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Cáceres e Rondonópolis.
O grupo também atua nas cidades de Araguaiana, Arenápolis, Aripuanã, Barra do Bugres, Campo Novo do Parecis, Confresa, Diamantino, Glória do Oeste, Guiratinga, Itanhangá, Jangada, Juína, Mirassol D’Oeste, Nobres, Nortelândia, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Peixoto de Azevedo, Pontes e Lacerda, Porto Espiridião, Primavera do Leste, Querência, Rosário Oeste, São José do Rio Claro, São José dos Quatro Marcos, Sapezal, Tangará da Serra, Tapurah e Vila Bela da Santíssima Trindade.
Já o PCC tem o domínio em apenas um município, que é Pedra Preta (238 km ao Sul de Cuiabá). No entanto, o PCC registra conflitos com o CV em outras 13 cidades.
Na lista aparece Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá), onde também foi identificada a influência do Tropa do Castelar, grupo já conhecido desde o final de 2022.
O Tropa do Castelar surgiu a partir de uma dissidência de membros do CV de Sorriso, recebendo apoio e fortalecimento através de armamentos do PCC, que busca expandir sua atuação no Estado.
O Tropa do Castelar também está presente em Alto Paraguai, Nova Maringá e Nova Santa Helena. (Diário de Cuiabá)





