Após game Roblox restringir chat, delegado alerta pais: Regras podem ser burladas

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No início do mês, a plataforma de jogos Roblox alterou as regras, restringindo o uso do chat para crianças. A partir de agora, jogadores terão que verificar a idade e só poderão conversar com usuários de faixas etárias parecidas. Segundo o delegado Guilherme Campomar da Rocha, adjunto da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos de Cuiabá, a medida é importante, mas os pais ainda devem continuar fiscalizando os filhos, que não estão 100% livres do perigo.

Conforme as mudanças no jogo, os usuários precisarão comprovar a idade pelo sistema de verificação facial para usar o chat. Crianças menores de 9 anos só terão o uso permitido com autorização de responsáveis, enquanto quem tiver mais de 13 anos poderá conversar somente com usuários de idades próximas.

De acordo com a Roblox, a regra foi projetada para evitar que crianças menores de 16 anos se comuniquem com adultos. Para Campomar, a medida é muito importante, mas não é, por si só, suficiente.

“É importante, sim, que a plataforma tenha uma política que busque preservar os seus usuários, que em grande parte são crianças e adolescentes, mas também é importante que os pais mantenham uma fiscalização do que os seus filhos estão fazendo nos jogos. Todas as medidas, por melhor que elas sejam, são passíveis de serem burladas. A comprovação da faixa etária pode ser feita por uma criança e, eventualmente, um criminoso utiliza essa conta”, salienta.

O delegado afirma que os pais devem ter contato com o jogo, saber como funciona e o que o filho faz. “Entender como é, saber configurar a conta do filho. Tem algumas configurações na conta do Roblox que os pais podem mudar, como restringir ainda mais o chat de voz e texto. Seja em jogos como Roblox ou outros jogos, seja em redes sociais, em sites, é fundamental que os pais estejam próximos dos filhos, independentemente da idade”, afirma.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Delegado Guilherme Campomar da Rocha

Guilherme Campomar da Rocha, delegado da Especializada de Repressão a Crimes Informáticos de Cuiabá

“É imprescindível que os pais tenham o interesse e a curiosidade de entender o que os seus filhos fazem na internet e como eles fazem”, acrescenta.

Ainda conforme Campomar, restringir a criança 100% dos jogos virtuais não é o ideal, até para ela não se sentir excluída entre os outros amigos que jogam. O importante é a conversa dos pais com o filho, onde demonstram o que é o certo a ser feito e o que evitar. “É importante que os pais orientem os filhos a não conversar fora do canal do chat, principalmente com quem não conhece pessoalmente”.

“Também é bom os pais criarem uma conta para entender como funciona, o que pode ser feito, quais dados são armazenados, se precisa passar informações pessoais. Aí tem que ter uma conversa franca, uma conversa educativa, para orientar a criança a não passar informações, a identificar comportamentos suspeitos de outras pessoas. Aquela série de cuidados básicos”.

Caso perceba algum comportamento estranho do filho, ou flagre no celular dele algo suspeito, o correto é conversar com a criança, garantir sua integridade física e emocional e comunicar o fato à Polícia Civil. “Temos delegacias especializadas para realizar esse atendimento. Mesmo que tenha sido pela internet, estamos realizando operações, prisões, para mostrar para a população e para esses criminosos que a internet não é terra sem lei”, destaca.

“Nós temos um histórico de quase 100% dos crimes envolvendo crianças e adolescentes aqui na Delegacia. A comunicação chegando para nós, nós temos policiais específicos, que trabalham exclusivamente com crimes contra crianças e adolescentes.  O caso recebe prioridade absoluta. Quando o crime é identificado, não há obstáculos também para que a gente consiga efetuar a prisão e a responsabilização dos suspeitos. Se não é aqui de Mato Grosso, nós nos deslocamos até o estado em que o criminoso está, para realizar, eventualmente, a prisão dele ou o cumprimento do mandato”, destaca. (RD News)