Após cassação, Selma reafirma “perseguição” e diz que vai se dedicar à advocacia

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A ex-senadora Selma Arruda (PODE), que teve a perda de seu mandato oficializada nesta quarta-feira (15), voltou a dizer que sua cassação foi motivada por interesses políticos “obscuros” e a criticar a condução do processo, que segundo ela não lhe garantiu ampla defesa. Em nota, a juíza aposentada disse, ainda, que a partir de agora irá dedicar-se à advocacia.

“Selma acredita que vontades políticas com evidentes intenções obscuras prevaleceram no seu julgamento, o que fere a soberania do sufrágio popular e a obediência aos princípios do contraditório e ampla defesa. A partir de agora, Selma irá se dedicar à advocacia e lutar para que outros cidadãos não tenham seus direitos cerceados como ocorreu no seu caso”, diz trecho da nota encaminhada pela assessoria de imprensa da ex-parlamentar.

Eleita como a candidata mais votada ao Senado em 2018, com quase 700 mil votos, a juíza aposentada Selma Arruda teve seu mandato cassado por unânimidade, em abril do ano passado, pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. Ela foi cusada de omitir da Justiça despesas de R$ 1,2 milhão durante a campanha, o que configura caixa 2 e abuso de poder econômico. Sua defesa recorreu, mas em dezembro o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a perda do mandato e convocou novas eleições.

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A oficialização da cassação no Senado Federal, no entanto, só ocorreu nesta quarta-feira, quase cinco meses depois do início do rito, que foi havia sido suspenso em razão da pandemia do coronavírus. Apenas o senador  Lasier Martins (Podemos-RS) votou contra a perda do mandato de Selma. Votaram a favor os senadores Antônio Anastasia (PSD-MG), Sérgio Petecão (PSD-AC), Eduardo Gomes (MDB-TO), Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Luis Carlos Heinze (PP-RS).

O Senado busca dar posse, ainda esta semana, a Carlos Fávaro (PSD), terceiro candidato a senador mais votado em 2018, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela sua posse. Selma ainda pode judicializar a questão.

Veja a íntegra da nota da ex-senadora:

A Juíza Selma recebeu a notícia sobre a decisão da Mesa Diretora com respeito e tranquilidade, certa de que sempre pautou sua trajetória com retidão dos seus atos como magistrada e parlamentar.
Selma acredita que vontades políticas com evidentes intenções obscuras prevaleceram no seu julgamento, o que fere a soberania do sufrágio popular e a obediência aos princípios do contraditório e ampla defesa. A partir de agora, Selma irá se dedicar à advocacia e lutar para que outros cidadãos não tenham seus direitos cerceados como ocorreu no seu caso.

Fonte: Olhar Direto