
O casal de turistas de Tangará da Serra, Cleiton Zanatta e Jhonny Andrade, afirmou em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, na noite deste domingo (4), ter vivido “momentos de terror” ao serem espancados durante férias em uma praia de Porto de Galinhas (PE).
A confusão aconteceu por conta da variação no valor cobrado pelas cadeiras de praia alugadas. “Eu estou me sentindo um caco, um lixo em relação a tudo isso. […] Foi um terrorismo, foi cena de terror”, afirmou Jhonny.
“Eu queria passar o meu aniversário de 50 anos lá, infelizmente aconteceu isso comigo e passamos por uma situação de quase linchamento”, disse Cleiton.
O casal contou que foi abordado antes mesmo de chegar à areia e alugou o guarda-sol e duas cadeiras pelo valor de R$ 50 em consumação. Ao final da tarde, como o casal não havia consumido nada no local, o valor foi aumentado para R$ 80.
Jhonny disse ter se recusado a pagar os R$ 80 cobrados indevidamente e relatou ter sido agredido com uma cadeira por conta disso. “Quando a gente se deu conta, já tinha aproximadamente uns 15, 20, tudo em nossa volta. E nisso o outro já me deu um murro”, afirmou.
O casal afirmou ainda ter sido vítima de homofobia. “Era tanta pancada, tanto soco, tanto pontapé. E eu pedindo para eles pararem”, completou Jhonny.
Cleiton disse ainda estar com muito medo e afirmou ter implorado por sua vida aos bombeiros salva-vidas. “Eu cheguei gritando, pelo amor de Deus, ajuda a gente, que eles vão matar a gente”, disse.
Erivaldo dos Santos foi o garçom que atendeu o casal e, por sua vez, afirmou ter sido agredido primeiro, o que teria desencadeado o linchamento. O casal negou essa dinâmica.
Segundo Paulo Henrique Rodrigues Pereira, secretário nacional do consumidor, a consumação mínima é ilegal diante do Código de Defesa do Consumidor, pois restringe a liberdade de escolha do consumidor e pode representar uma venda casada.
Conforme a Polícia do Estado, 14 pessoas já prestaram depoimento sobre o caso.
Veja a reportagem completa:
(Midianews)
Casal de MT foi pressionado a consumir petisco; extorsão a turistas é comum
Johnny relata que ouviu do atendente: “Vou cobrar de vocês R$ 50. Duas cadeiras e um guarda-sol”. Em seguida, veio a condição: “Se vocês consumirem algum petisco, a gente não cobra o valor das cadeiras”.
Mais tarde, o acordo mudou. O funcionário teria avisado: “Já são quatro horas da tarde, vocês não consumiram nada. Não vai ser mais R$ 50, vai ser R$ 80.” Johnny respondeu que pagaria apenas o combinado: “Não, 80 reais eu não vou pagar. Vou pagar os R$ 50, que foi o valor combinado.”
Então, segundo ele, o atendente insistiu na cobrança do novo valor e, logo depois, veio a agressão. “Ele arremessou a cadeira em mim”, conta.
A confusão se espalhou rapidamente. Johnny diz que, quando percebeu, já havia outros barraqueiros o agredindo.
“Ele jogou a cadeira, eu defendi com os braços, e outro já me deu um murro”. As imagens mostram Johnny com o rosto ensanguentado. “Era tanta pancada, tanto soco, tanto pontapé. Eu pedia pra eles pararem”, relata.
A advogada da Associação de Barraqueiros de Porto de Galinhas diz que não é possível apontar responsabilidades sem investigação. “Não dá pra definir quem falou o quê. São versões, são lados, e a investigação precisa concluir isso”, disse.
Até agora, 14 pessoas, entre testemunhas e investigados, já prestaram depoimento. Para o delegado-geral da Polícia Civil de Pernambuco, as imagens mostram “uma agressão covarde, com várias pessoas agredindo dois turistas”.
A reportagem do Fantástico percorreu outras praias famosas do litoral brasileiro e flagrou as mesmas práticas abusivas de barraqueiros e restaurantes sendo cometidas. (Folhamax)




