Advogado defende afastamento do presidente da OAB e ‘pente fino’ nos indicados ao TJ-MT

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O advogado de Cuiabá, Eduardo Mahon – conhecido por representar clientes ricos e poderosos em processos na Justiça Criminal -, saiu em defesa de sua colega, Luciana Póvoas, que teria sido agredida pelo marido, o também advogado Leonardo da Silva Campos. O suposto agressor é presidente da Ordem dos Advogados do Brasil seccional de Mato Grosso.

“Por enquanto, com a vênia do atual presidente, penhoro a minha solidariedade à Dra. Luciana Póvoas, oriunda de uma família de notáveis professores mato-grossenses como Nilo Póvoas e seu filho, o intelectual Lenine de Campos Póvoas. Minha solidariedade à mãe, querida amiga, Dra. Maria Helena Gargaglione Póvoas, nossa combativa representante da advocacia no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. É complicado para qualquer autoridade pública lidar com um caso tão exposto”, disse Mahon.

O advogado lembrou ainda em sua manifestação que uma súmula do Conselho Federal da OAB, publicada em 2019, proíbe a inscrição nos quadros da Ordem de pessoas acusadas de agredir mulheres. Mesmo opinando não ser este o caso, Eduardo Mahon defendeu o afastamento de Leonardo Campos da presidência da seccional do órgão em Mato Grosso.

“Pontuo que, em 18 de março de 2019, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil editou súmula vedando ao advogado agressor de mulheres a entrega de carteira profissional por falta de idoneidade. Não é o caso em apreço, todavia. Ainda assim, como o suposto agressor é o próprio presidente de uma das Seccionais da OAB, convém que se afaste do cargo enquanto se desenrolam as investigações preliminares, pelo menos”, defendeu Mahon.

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Ao final do texto, Mahon também aproveitou para fazer política. Contrário ao grupo que elegeu Leonardo Campos à presidência da Ordem, ele afirmou que a indicação do chamado “Quinto Constitucional” deve ser feita somente aos membros da Ordem que não tenham sofrido “acusações criminais”.

“Aproveito a oportunidade para exortar o Conselho Estadual da nossa entidade representativa operar um criterioso escrutínio dos futuros candidatos à vaga do quinto constitucional do TJMT. É preciso que tenhamos um representante politicamente isento, com ampla experiência, perfil que não se ligue a advogados acusados criminalmente ou já objeto de operações policiais, alguém que possa representar a advocacia do Estado e não somente de um grupo que, aliás, precisa apear do poder”, sugeriu.

Nos próximos dias, o Tribunal de Justiça deve abrir nove novas vagas para desembargadores. Uma deles deve ser destinada a indicação da OAB.

O CASO

Leonardo Campos, também conhecido como “Leo Capataz”, foi preso na madrugada desta quinta-feira após a suspeita de ter agredido a esposa, Luciana Póvoas, numa discussão que teve início na noite da última quarta-feira (27). Pouco depois ele foi liberado pelo juiz.

Em nota, Leonardo Campos explicou que ele próprio solicitou ao juiz que determinasse seu afastamento da esposa e do filho como medida protetiva e pediu “respeito” em razão do momento familiar delicado. Ele nega ter agredido fisicamente a companheira.

Sua esposa, no entanto, trouxe uma versão diferente: à Polícia Judiciária Civil (PJC), Luciana Póvoas revelou que ambos estão divorciados, mas residindo na mesma casa, em razão das agressões físicas e psicológicas constantes por parte de Leo Capataz. Ela conta ainda que temeu por sua vida em razão do advogado possuir uma arma de fogo e confidencia que as agressões foram superadas para manter o “padrão de vida do filho”.

A advogada diz ainda que se cansou de usar roupas largas para esconder as marcas das agressões, e que se sentiu “escrava” e “submissa” ao marido.

Fonte: Folhamax