Operação cumpre mandados contra fraudes em unidades do Ganha Tempo em MT

Operação cumpre mandados contra fraudes em unidades do Ganha Tempo em MT
Operação cumpre mandados contra fraudes em unidades do Ganha Tempo em Mato Grosso — Foto: Lorena Segala/TV Centro América

O sistema foi contratado pelo estado na gestão passada, e pode ter desviado milhões dos cofres públicos, de acordo com as investigações.

Uma operação que apura fraudes em unidades do Ganha Tempo, em Mato Grosso, é realizada nesta terça-feira (1º) em Cuiabá. As unidades oferecem prestações de serviço, como emissão de documentos.

De acordo com a Polícia Civil, a Operação Tempo é Dinheiro conta com a Delegacia de Fazenda (Defaz), Grupo de Operações Especiais (GOE) e Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Foram expedidos 19 mandados de busca e apreensão e decretadas medidas cautelares contra os gerentes de unidades e gestores da empresa, determinando a suspensão do exercício de suas funções na empresa e na estrutura do Ganha Tempo, a proibição de frequentar as unidades Ganha Tempo e proibição de manter contato com os demais funcionários dos quadros da concessionária.

O Ganha Tempo é administrado pelo consórcio Rio Verde, que ganhou a concessão das sete unidades, em 2016, durante o governo de Pedro Taques. O valor do contrato com a empresa é superior a R$ 461 milhões e a concessão é pelo prazo de 15 anos.

O sistema foi contratado pelo estado na gestão passada, e pode ter desviado milhões dos cofres públicos, de acordo com as investigações.

Uma operação que apura fraudes em unidades do Ganha Tempo, em Mato Grosso, é realizada nesta terça-feira (1º) em Cuiabá — Foto: Ianara Garcia/TV Centro América

Uma operação que apura fraudes em unidades do Ganha Tempo, em Mato Grosso, é realizada nesta terça-feira (1º) em Cuiabá — Foto: Ianara Garcia/TV Centro América

A suspeita é de que a fraude funcionava por meio da emissão de senhas, sem necessariamente o Ganha Tempo prestar o serviço.

Cada senha emitida serve como um tipo de cadastro, que é usado como base pelo governo para pagar pelos serviços prestados pelo consórcio Ganha Tempo.

Segundo as investigações, esse cadastro pode ter sido fraudado e o estado pode estar pagando por um atendimento não prestado.

Também foi atendido pelo juízo o pedido de ocupação provisória dos bens, pessoal e serviços da empresa Rio Verde pela Seplag para garantir a continuidade da prestação dos serviços públicos ofertados pelo Ganha Tempo.

Na prática, o estado, por meio da Secretaria de Planejamento, deverá assumir a gestão das unidades e a prestação dos serviços, devendo se manifestar, em 90 dias, sobre a necessidade e viabilidade de intervenção na concessão.

Além disso, foi determinado o bloqueio de R$ 6.366,858,81 nas contas da empresa e de seu sócio administrador, valor correspondente ao provável prejuízo sofrido pelo estado dentro do que foi apurado em relação a pagamentos de atendimentos com indícios de fraude, no período de março de 2018 a janeiro de 2020.

A Seplag deverá apresentar ao juízo, em 60 dias, um relatório apontando todas as irregularidades encontradas e a real extensão do prejuízo sofrido pelo governo.

Alvo da CGE

Uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE-MT) apontou número de atendimentos falsos em unidades do Ganha Tempo e o descumprimento de contrato da empresa Rio Verde Ganha Tempo, responsável por gerenciar as unidades no estado. As fraudes são apontadas em um relatório divulgado pelo órgão.

De acordo com o documento, em alguns casos os usuários teriam emitido a senha e atendidos em tempo igual ou inferior a 30 segundos.

O tempo é considerado inaceitável, uma vez que o atendimento deveria ser feito em cinco etapas.

Para os auditores, a prática evidencia que a concessionária a prática aponta as missões indevidas de senhas, computando-as irregularmente como atendimentos realizados para efeitos de recebimento da contraprestação”.

Uma auditoria da apontou que 105 mil atendimentos foram falsos em unidades do Ganha Tempo e o descumprimento de contrato da empresa Rio Verde Ganha Tempo, responsável por gerenciar as unidades no estado.

Fonte: G1