Líder financeiro do CV será transferido para presídio federal de segurança máxima

Líder financeiro do CV será transferido para presídio federal de segurança máxima
Foto: Reprodução/OD

O ‘tesoureiro’ do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Witer Farias Paelo, vulgo “WT”, deverá ser transferido ao Sistema Penitenciário Federal, de segurança máxima, conforme apurado pelo Olhar Direto. Atualmente recolhido em proteção total na Penitenciária Central do Estado (PCE), WT é liderança da facção é o principal alvo da Operação Replay, que mirou núcleo financeiro da organização. Além dele, também estão na mira da ofensiva Emerson Ferreira Lima, vulgo “Gordão”, Alex Júnior, conhecido como “Soldado”, e a advogada Dayana Karol Moreira.

Além de aplicar medida disciplinar contra outro faccionado, WT também é acusado de cobrar fechamentos financeiros das atividades criminosas, determinações de recolhimento, direcionamento de valores e instruções para corrigir, substituir e guardar planilhas.

As ordens de WT eram projetadas para os membros que estão em liberdade, fora do presídio, operadores que recebem as prestações de contas, recolhem e realizam pagamentos, além de movimentar as contas dos “laranjas” para aumentar e administrar o patrimônio da facção, estrutura que permitia que as ordens emitidas do cárcere fossem convertidas em ações concretas em liberdade.

Foi identificado pelos agentes que WT, entre setembro de 2025 e março de 2026, usou o mesmo chip em sete aparelhos celulares diferentes, canal de comunicação que organiza as atividades da facção, além de armazenar perfis, contatos, documentos, fotografias, imagens de armas, dados relacionados a imóveis e outros elementos vinculados à investigação.

O pedido para presídio de segurança máxima federal, então, se justificou porque a PCE não foi capaz de neutralizar as ações de WT e seus comparsas, já que, apesar de estar fisicamente segregado, ele continuava ordenando as atividades criminosas e financeiras do CV.

WT já havia sido alcançado pela Operação Apito Final, mas voltou a aparecer nos elementos produzidos nas operações Fair Play, Tempo Extra e Replay. A prisão, as apreensões de celulares, a permanência em setor de segurança máxima e as demais cautelares não foram suficientes para retirá-la da cadeia de comando.

Na ofensiva de hoje, a Polícia Civil cumpriu 10 mandados de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais e de quebra de sigilo, contra 14 integrantes e colaboradores de uma estrutura criminosa investigada por organização criminosa e lavagem de capitais.

Foi determinado o bloqueio de mais de R$ 32 milhões dos suspeitos, sendo aproximadamente R$ 17.287.600,00 em bens, incluindo apartamentos e casas  de alto padrão, e R$ 15.324.000,00 em valores.

“Gordão” já foi preso anteriormente em outra operação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Apontado como um dos líderes do Comando Vermelho em Mato Grosso, Emerson já vinha sendo investigado por participar de um esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.

A operação

A ação é um desdobramento de uma investigação continuada que já havia resultado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A nova fase foi estruturada a partir da análise dados telemáticos. O material deu origem a relatórios técnicos que revelaram a continuidade da atuação da estrutura criminosa, com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio, operadores externos, utilização de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.

A decisão judicial autorizou prisões preventivas, buscas pessoais, domiciliares e veiculares, afastamento de sigilo de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos e bloqueio de ativos financeiros vinculados aos investigados. As medidas têm como finalidade interromper a continuidade das atividades, preservar provas, impedir a dissipação patrimonial e atingir a base econômica que sustentava a atuação do grupo. (Olhar Direto)