Advogada e assessor de vereador estão entre os presos de operação contra facção
O tesoureiro da maior facção criminosa de Mato Grosso, Paulo Winter Paelo Farias, conhecido como WT, a advogada e influenciadora Dayana Karol Moreira, o assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva e o jogador de futebol amador Alex Júnior estão entre os presos da Operação Replay.
A ação, deflagrada nesta quinta-feira (30) pela Polícia Civil, investiga crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.
WT, principal alvo da operação, já se encontra preso pela Operação Apito Final, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), em 2024. Ele é proprietário de um time de futebol amador, o Amigos WT, onde Brunno e Alex jogavam.
Brunno é assessor parlamentar do vereador Jefferson Siqueira (PSD), na Câmara Municipal de Cuiabá. Ele foi contratado em janeiro neste ano com um salário de R$ 2,5 mil.
No total, a ação cumpre 10 mandados de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais e de quebra de sigilo, contra 14 suspeitos do grupo em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).
Segundo a Polícia Civil, a investigação é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, e foi estruturada a partir da análise de dados telemáticos.
Os relatórios técnicos apontaram a continuidade da atuação da organização criminosa, com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio, operadores externos, uso de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
A decisão judicial autorizou, além das prisões, buscas pessoais, domiciliares e veiculares, afastamento do sigilo de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos, além do bloqueio de ativos financeiros dos investigados.
Os bens alcançados pelas medidas judiciais foram estimados em aproximadamente R$ 17,2 milhões.
Entre eles estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos. Também foi solicitado o bloqueio financeiro de até R$ 15,324 milhões, valor relacionado à contabilidade encontrada durante a investigação.
De acordo com a Polícia Civil, as medidas têm como objetivo interromper a continuidade das atividades do grupo, preservar provas, impedir a dissipação do patrimônio e atingir a base econômica que sustentava a organização criminosa.
WT da prisão
Outro foco da apuração apontou que WT, liderança da facção, mesmo custodiado em um setor de segurança máxima do sistema prisional estadual, continuava exercendo funções de comando financeiro e disciplinar da organização, orientando operadores em liberdade e determinando movimentações de recursos.
Segundo a Polícia Civil, o nome Replay faz referência à repetição das condutas criminosas e à capacidade de reorganização do grupo após as operações anteriores.
A nova fase busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos e retirar da organização os recursos financeiros e patrimoniais utilizados para manter suas atividades. (Midianews)
