Áudio revela suposta extorsão contra policial que atirou em entregador: ‘Já abriram seu telefone e têm seus documentos’
A defesa da policial penal Jorcenilma Franca Viegas, de 46 anos, divulgou uma gravação telefônica para rebater a tese de que a servidora teria baleado o entregador Carlos Filipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, sem motivação na última quarta-feira (22), no bairro CPA IV, em Cuiabá. O advogado da agente, Marcio de Deus, sustenta que o motociclista atuava como mensageiro em um esquema de extorsão praticado contra a policial para a devolução de um aparelho celular.
A manifestação da defesa ocorre após a circulação de imagens de segurança que mostram o momento em que a servidora rende o motociclista na calçada, ordena que ele se deite e efetua os disparos. Segundo o advogado, o vídeo veiculado retrata apenas o desfecho de uma chantagem em andamento.
No áudio apresentado por ele, um criminoso, não identificado, ameaçou expor as informações contidas no aparelho e exigiu R$ 600 em espécie para não vendê-lo por peças. Durante a gravação, o advogado Marcio de Deus reforça que a intervenção da servidora ocorreu para interromper a ação criminosa dentro de sua residência.
“A mídia divulgou tão somente o momento em que a policial penal defere alguns projéteis em direção ao entregador, contudo, a mídia esqueceu de publicar que a policial penal vinha sofrendo extorsão (…). Era uma situação de risco onde a policial penal trabalhou para que esse risco cessasse“, declarou o defensor.
Conforme a tese da defesa, a chegada do entregador para recolher a quantia exigida sob ameaça de exposição de dados configurou o flagrante da extorsão, momento em que a servidora deu voz de prisão e efetuou os disparos. Após ser atingido, Carlos Filipe foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC).
A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso investiga o caso para esclarecer as circunstâncias da abordagem, a autenticidade dos áudios e a eventual responsabilidade de ambos os envolvidos.
Confira o áudio na íntegra:
— “E outra coisa, aqui no telefone, vídeo, tem documento, tem um monte de coisa sua. Aqui os guri já abriu aqui, porque os guri têm acesso, eles têm o computador, eles têm o processo, tem o programa, tem tudo”
— “Então o que acontece: poderia vender esse telefone seu, vender as peças dele. Você está entendendo? Seu telefone vale mais de R$ 1.000 de peça. Só que eu sou aqui, eu que estou na frente aqui, ó, eu que estou na frente e eu falei que não vai vender.”
— “Porque trabalhador… primeiro, trabalhador custa caro para comprar um telefone desse. A gurizada aqui tem tudo, o iPhone… e dizer também, sabe que… como que é difícil conseguir quem trabalha, entendeu? Então não está aqui para atrapalhar o trabalhador, tá ok?”
— “Eu vou mandar um motoqueiro só e ele vai pegar… vai pegar o dinheiro com você e aí ele vai entregar o celular para você. Beleza? Perfeito então.”
— “Ele sem demora, coisa rápida. Pegou o dinheiro, saiu. Tá ok? Beleza? Os guri vai ficar olhando de longe, tá bom? Porque ninguém quer passar a perna em ninguém. Eles não quer passar a perna em você e o guri também, ele só vai receber o dinheiro e vai sair fora.”
— “Beleza?Tá bom, o guri vai passar, vai deixar o telefone com você, deixa o dinheiro na mão dele. Vida que segue, hein! Ok? Tá bom, beleza. Então tá bom.”
— “Quando ele estiver aí perto, ele dá um toque no telefone, beleza? Então tá, morreu as pontas aqui, não vou mais falar com a senhora. Tá bom? Não vou mais falar com a senhora. Ok, beleza. Então tá bom.” (Repórter MT)
Veja vídeos:
