Vereadores são alvos de operação que investiga desvio de R$ 1,95 milhão em cestas básicas em MT
Vereadores e outros investigados foram alvos da Operação Mesa Vazia, nesta sexta-feira (3), que apura um suposto esquema de desvio de cerca de 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social, em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá.
Segundo a investigação, o prejuízo estimado é de R$ 1,95 milhão. As identidades dos envolvidos não foram divulgadas pela Polícia Civil. O g1 entrou em contato com a Câmara Municipal, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Conforme a polícia, os produtos faziam parte do Programa SER Família Solidário, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e deveriam ser distribuídos por meio de órgãos públicos, entidades credenciadas e beneficiários previamente cadastrados.
No entanto, a investigação aponta que parte das cargas teria sido desviada para um esquema paralelo de distribuição, sem controle institucional e sem prestação de contas.
Ainda conforme a polícia, foram identificadas divergências entre documentos oficiais de entrega e a quantidade de produtos recebida por representantes de entidades.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo, afastamento de função pública e outras medidas cautelares, como a proibição de contato entre os investigados e de frequentar locais relacionados aos fatos apurados.
Como esquema funcionava
A Polícia Civil relatou que parte das cargas era retirada em centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá e transportada para Barra do Garças.
Ainda conforme a polícia, em vez de serem entregues às unidades públicas ou instituições responsáveis pela distribuição, os produtos teriam sido levados para imóveis particulares, chácaras, sedes de associações e outros locais privados, de onde ocorreria a redistribuição irregular.
Segundo a Polícia Civil, o esquema funcionaria por meio de dois fluxos:
- Fluxo regular: com solicitação formal, documentação, entrega por órgãos e entidades responsáveis e prestação de contas.
- Fluxo paralelo: os produtos eram movimentados com aparência de legalidade, utilizando entidades, documentos considerados suspeitos ou representantes sem legitimidade formal, sem o devido controle institucional. (G1 MT)