Parte de casarão de família tradicional desaba em Cuiabá
Parte da estrutura interna de um antigo casarão localizado na Rua 7 de Setembro, no Centro Histórico de Cuiabá, desabou na noite de quarta-feira (1º). O fato reacendeu o debate sobre o estado de conservação dos imóveis históricos da Capital.
O imóvel, que estava desocupado havia vários anos, pertenceu à família de Alexandre Magno Addor, intendente de Cuiabá entre 1918 e 1922. Apesar do desabamento, ninguém ficou ferido.
Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar atenderam a ocorrência, isolaram a área por medida de segurança e interditaram parte da calçada para evitar novos acidentes.
As causas do desabamento ainda serão apuradas por meio de laudo técnico, mas o imóvel já apresentava sinais visíveis de deterioração.
Segundo informações apuradas no local, o casarão havia sido invadido e chegou a ser ocupado por pessoas em situação de rua, que abriram uma passagem ligando o imóvel ao Beco do Candeeiro, na Rua 27 de Dezembro, uma das mais antigas do Centro Histórico.
O imóvel, que estava desocupado havia vários anos, pertenceu à família de Alexandre Magno Addor, intendente de Cuiabá entre 1918 e 1922
Moradores da região relataram ainda que um casal que ocupava o casarão retirava portas da edificação para comercialização, quando parte da estrutura teria cedido. A informação, porém, ainda será investigada e não faz parte das conclusões oficiais sobre as causas do desabamento.
A queda da estrutura também provocou danos em um prédio vizinho. O telhado da edificação sofreu um pequeno abalo e foi registrada uma rachadura na parte superior da parede que divide os dois imóveis.

A Prefeitura de Cuiabá informou que a Defesa Civil elaborará um laudo técnico para avaliar as condições estruturais do casarão e verificar os riscos de novos desabamentos. Com base no parecer, a Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano notificará o proprietário para que sejam adotadas as medidas necessárias.
O novo desabamento volta a chamar atenção para o abandono de imóveis históricos no Centro da Capital. Muitos permanecem fechados há décadas, sem manutenção adequada, e alguns acabam sendo ocupados irregularmente, situação que preocupa moradores, comerciantes e órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio.
Nas proximidades do casarão da família Addor está outro imóvel emblemático da história cuiabana: o prédio que abrigou a antiga Gráfica Pepe, considerada a primeira da cidade. A edificação começou a apresentar sinais de desmoronamento após um temporal registrado em 2019 e, desde então, permanece escorada para evitar o colapso da fachada.
O imóvel, que também serviu de residência ao ex-governador Generoso Ponce e ao então intendente de Cuiabá, tenente-coronel Avelino de Siqueira, chegou a ter a demolição anunciada em março deste ano. A medida, porém, foi revista após reunião entre o prefeito Abilio Brunini (PL) e representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que decidiram preservar e restaurar a fachada.
Em nota, a Prefeitura informou que a revitalização do Centro Histórico continua sendo uma das prioridades da atual gestão. Segundo o município, estão em andamento ações para atrair novos investimentos, ampliar a oferta de serviços públicos na região, promover eventos culturais e preservar imóveis históricos em parceria com o Iphan.
De acordo com a administração municipal, o objetivo é recuperar o Centro Histórico, estimular a ocupação dos espaços públicos e garantir mais segurança para moradores, comerciantes e visitantes.
O desabamento do casarão reforça o desafio de conciliar a preservação do patrimônio arquitetônico de Cuiabá com a necessidade de intervenções que garantam a segurança da população em uma região que reúne parte importante da memória e da identidade cultural da Capital. (Diário de Cuiabá)