Cacique Raoni sofre hemorragia digestiva e volta à UTI em hospital de São Paulo

Cacique Raoni sofre hemorragia digestiva e volta à UTI em hospital de São Paulo
Cacique Raoni — Foto: Nicolas Tucat/AFP

O cacique Raoni Metuktire, uma das principais lideranças indígenas e ambientalistas do mundo, voltou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, na capital paulista, após apresentar um quadro de hemorragia digestiva. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (1º) pela equipe médica responsável pelo tratamento.

Segundo o boletim médico, Raoni apresentou sangramento no estômago e no duodeno — primeira porção do intestino delgado — e precisou ser submetido a um exame de endoscopia. Após o procedimento, o quadro clínico foi estabilizado, mas os médicos optaram por transferi-lo novamente para a UTI para monitoramento intensivo.

O hospital informou ainda que foi identificado um pneumotórax no pulmão direito, condição caracterizada pelo acúmulo de ar entre o pulmão e a parede torácica. O problema foi tratado por meio de drenagem, sem intercorrências.

De acordo com o boletim, o líder indígena permanece consciente, responde aos comandos da equipe médica, respira espontaneamente, sem necessidade de aparelhos, está afebril e apresenta estabilidade clínica.

Raoni havia deixado a UTI no último dia 23 de junho, após se recuperar de uma cirurgia de desobstrução intestinal realizada sem complicações. Desde então, seguia internado em observação no Hospital São Paulo, onde permanece desde o dia 19 de junho.

O cacique foi transferido de Sinop para São Paulo por decisão conjunta das equipes médicas responsáveis pelo caso. O transporte foi realizado em uma aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso, permitindo que o líder indígena desse continuidade ao tratamento especializado no Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na capital paulista, o acompanhamento é coordenado pelo cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Antes da transferência, Raoni estava internado no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, onde deu entrada no dia 14 de junho após ser diagnosticado com sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa. O quadro teve início depois que ele apresentou episódios de vômito em sua residência, localizada na Terra Indígena Capoto/Jarina, na região de Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso.

Histórico de internações – A atual internação é mais um capítulo da delicada situação de saúde enfrentada pelo líder kayapó nos últimos anos. Em maio deste ano, Raoni também precisou ser hospitalizado devido a complicações respiratórias e gastrointestinais. Pouco antes, havia permanecido cinco dias internado para tratamento de dores abdominais relacionadas a uma hérnia.

Segundo a equipe médica, o cacique, de 94 anos, possui diversas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, uso de marcapasso e hérnia diafragmática, fatores que tornam seu acompanhamento clínico ainda mais delicado.

Desde 2020, Raoni já passou por seis internações no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop. A unidade mantém uma parceria com as Expedições UFMT-Xingu, projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que leva atendimento especializado às comunidades indígenas da Terra Indígena Capoto/Jarina.

Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas, Raoni Metuktire tornou-se uma das principais lideranças indígenas do planeta. Sua atuação ganhou projeção internacional na década de 1970, durante a oposição à construção da Rodovia Transamazônica, e se fortaleceu a partir de 1989, quando iniciou uma série de viagens ao exterior ao lado do músico britânico Sting para defender a preservação da floresta amazônica e os direitos dos povos originários.

Aos 94 anos, Raoni continua sendo uma das vozes mais influentes na defesa dos territórios indígenas e da conservação ambiental, tornando seu estado de saúde motivo de preocupação entre lideranças indígenas, ambientalistas e autoridades no Brasil e no exterior. (Diário de Cuiabá)