Marceneiro de MT viraliza nas redes com corrida de tampinhas
O que começou como uma simples brincadeira após uma chuva acabou se transformando em um fenômeno nas redes sociais. Com vídeos que já acumulam milhões de visualizações, Jucá conquistou mais de 100 mil seguidores ao criar disputas entre tampinhas de garrafa que tentam “prever” resultados de campeonatos nacionais e internacionais de futebol.
“Eu não tinha intenção nenhuma de viralizar. Fazia vídeos de humor, tocava violão, cantava e criava vários tipos de conteúdo. Um dia peguei quatro tampinhas, gravei e postei. O vídeo chegou a 700 mil visualizações”, relembrou em entrevista ao MidiaNews.
A ideia surgiu sem qualquer planejamento. Segundo ele, após uma chuva, no dia 23 de dezembro de 2024, decidiu pegar quatro tampinhas e gravar uma corrida em uma enxurrada próxima de casa.
A narração bem-humorada chamou a atenção dos internautas e gerou inúmeros comentários depois que Edson prometeu uma viagem ao Maranhão para quem escolhesse a tampinha que cruzasse primeiro a linha de chegada.
Animado com o resultado, ele produziu uma nova gravação. O segundo vídeo não teve grande repercussão inicialmente, mas dias depois explodiu no TikTok, alcançando mais de 7 milhões de visualizações.
Foi a partir daí que o projeto ganhou força e as disputas passaram a acompanhar os principais campeonatos de futebol. As corridas simulam confrontos dos campeonatos estaduais, do Campeonato Brasileiro, seja na Série A ou na Série D, da Copa do Brasil, da Libertadores, da Champions League e agora, claro, da Copa do Mundo.
“A galera pediu muito para fazer a Copa do Mundo e a gente vai fazer, já está tudo certo. Com fé em Deus, a gente vai estar com saúde para poder organizar o vídeo e postar para a galera”.
Com centenas de tampinhas representando clubes do país e, agora, seleções que participam do Mundial, Edson conta com dois circuitos para as competições.
O primeiro é o X1, uma pista mais reta, construída em sarjetas de ruas próximas à sua casa, que privilegia a velocidade.
Já o segundo, batizado de Noite e Dia, é disputado em um riacho e conta com curvas e obstáculos naturais, tornando as corridas mais imprevisíveis e emocionantes.
“A expectativa é enorme para a Copa do Mundo das Tampinhas porque o futebol de clubes para e vem a Copa do Mundo de seleções, que é muito aguardada”, ressaltou
Para a competição mundial, Edson acompanha o calendário oficial divulgado pela Fifa e também promove disputas inspiradas em amistosos e partidas preparatórias, utilizadas pelas seleções para testar formações e estratégias.
Os resultados das corridas de tampinhas, porém, nem sempre coincidem com os placares do futebol real. Em um dos confrontos, por exemplo, o Brasil goleou o Panamá por 6 a 2 na partida oficial, enquanto a disputa entre as tampinhas terminou empatada. Em outro duelo, a Seleção Brasileira venceu o Egito por 2 a 1 nos gramados, mas acabou derrotada na versão disputada pelas tampinhas.
Apesar das divergências nos resultados, o público se empolga com a competição e acompanha ansiosamente cada novo confronto organizado por Edson.
Nos comentários, seguidores costumam escolher seus favoritos antes da largada, comemoram as vitórias das tampinhas como se estivessem acompanhando uma partida de futebol de verdade e até pedem revisão do VAR quando o resultado não agrada.
“Agora, deu empate contra o Panamá. Tracei a linha de todo jeito que eu pude, pela base daquela estrutura que marca a chegada, mas a galera deixou muitos comentários dizendo que eu tinha que chamar o VAR, que eu estava querendo favorecer o Brasil. Na visão deles, o Panamá venceu. Mas não é por eu ser brasileiro que favoreci alguém”, ressaltou.
O criador de conteúdo, no entanto, diz que a trapaça está longe de suas competições, que prezam pela transparência. Com o objetivo de aprimorar o sistema de arbitragem das corridas, ele afirmou investir constantemente na estrutura dos circuitos e chegou a criar uma base metálica para auxiliar na identificação da tampinha que cruza primeiro a linha de chegada durante os confrontos.
Segundo o marceneiro, a medida foi adotada justamente para evitar dúvidas e reduzir as contestações dos seguidores sobre os resultados das disputas.
“É uma barra metálica, porque ela fica bem alinhada, bem rente à água. As tampinhas passam quase encostando nela. Então, se houver um empate na linha de chegada, no momento em que cruzarem a linha, conseguiremos identificar quais foram as duas primeiras”, afirmou.
Planejamento para os confrontos
Além da estrutura, todo campeonato que se preze necessita de organização e planejamento. É aí que a equipe de Edson, composta pela esposa e pelas filhas, entra em campo. Segundo ele, elas são peças fundamentais para a produção dos vídeos.
A produção das corridas também conta com o envolvimento da família. Enquanto a esposa organiza e revisa as tabelas das competições, a filha mais velha acompanha as chegadas e confere os resultados. Já a caçula oferece apoio moral durante as gravações.
Para manter a periodicidade das publicações, Edson encara verdadeiras maratonas de produção. Nos finais de semana, ele grava várias corridas de uma só vez para conseguir conciliar o trabalho na marcenaria com a criação e edição dos conteúdos nas horas vagas.
Segundo o marceneiro, o planejamento é essencial para equilibrar a rotina profissional, a produção dos vídeos e a convivência familiar.
Embora tenha conquistado repercussão nacional e sido destaque em reportagens de diversos veículos de comunicação, Edson ainda não consegue viver apenas das corridas de tampinhas. A baixa monetização das plataformas faz com que a principal fonte de renda da família continue sendo a marcenaria.
“Às vezes dá vontade de desistir, mas acredito que vai dar certo”, ressaltou.
Disputa nas águas e expectativa no campo
Mas, diferentemente das seleções, Edson já tem gravada boa parte das partidas da fase de grupos da Copa do Mundo das Tampinhas.
“Está tudo preparado. Falta só organizar a tabela, fazer a edição, colocar a narração e postar para a galera”, contou.
As disputas envolvendo o Brasil já estão prontas e aguardam apenas a data de publicação. Apesar de evitar revelar resultados, o criador de conteúdo garante que a Seleção Brasileira teve um desempenho competitivo na versão disputada nas águas.
“Ela teve um bom desempenho no grupo. Isso eu consigo dizer, que conseguiu pontuar. Não posso dizer se venceu alguma coisa. É bem difícil, né? São 48 seleções”, afirmou.
O marceneiro ressaltou, porém, que o desempenho nas corridas nem sempre reflete o que acontece nos gramados. Como exemplo, cita o Campeonato Brasileiro das Tampinhas, em que o Coritiba lidera o ranking criado por ele há bastante tempo, mesmo sem ocupar posição de destaque na competição oficial. Já o Palmeiras, frequentemente entre os primeiros colocados do Brasileirão, aparece atrás do clube paranaense na classificação das tampinhas.
“Digamos que o Coritiba vença o Brasileirão das tampinhas. Se ele for rebaixado no futebol, não disputa a Série A das tampinhas no ano seguinte. Nosso campeonato segue exatamente o que acontece na vida real. Tudo é baseado nos clubes que estão nas competições oficiais. O futebol é a nossa referência, e com as seleções funciona da mesma forma”, explicou.
Apesar de os resultados seguirem caminhos diferentes, a inspiração vem sempre do futebol. Quando a bola rola de verdade, Edson deixa as tampinhas de lado para acompanhar os jogos e torcer pela Seleção Brasileira também nos gramados.
“Já comprei minha camisa do Brasil, gravei as tampinhas, torci muito nas corridas e agora vamos ver no que dá”, disse.
Como torcedor, no entanto, ele adota cautela. Para Edson, vitórias expressivas em amistosos, como a goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, não devem servir de parâmetro para medir o potencial da equipe na Copa do Mundo.
“O pessoal não pode se empolgar demais por causa dos amistosos. Copa do Mundo é outra história. Tem muita seleção forte e qualquer jogo pode surpreender”, avaliou.
Ainda assim, ele demonstra confiança no elenco brasileiro, especialmente após a convocação de Neymar pelo técnico Carlo Ancelotti e pelas recentes atuações de Endrick.
“Estou botando muita fé no Endrick. O Neymar, estando recuperado e ajudando o grupo, também vai ser importante. Hoje ele está mais maduro. Mas eu queria mesmo ver o Endrick como titular. É um moleque que está destruindo. Minha esperança como torcedor é vê-lo brilhando”, afirmou.
Edson acredita que o Brasil tem boas chances de avançar para a fase mata-mata e vê a Seleção como favorita diante de adversários como Haiti e Escócia na primeira fase. A preocupação, segundo ele, surge em possíveis confrontos contra potências tradicionais do futebol mundial.
“Da Escócia eu acredito que passa. Mas tem seleções muito fortes. Marrocos, por exemplo, é uma seleção fortíssima. Então, expectativa para avançar de fase eu tenho, sim. Agora, se chegar ao mata-mata e pegar uma França ou uma Alemanha… Deus me livre”, brincou. (Midianews)

