Nova denúncia: Investigador que matou PM vira réu por tentar assassinar colega e perde o cargo

Nova denúncia: Investigador que matou PM vira réu por tentar assassinar colega e perde o cargo

O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, foi denunciado hoje (18) pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por tentativa de homicídio qualificado contra o também policial civil Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior. Segundo o MP, embora o crime tenha ocorrido em 2023, a denúncia só foi apresentada agora devido a fatos novos revelados durante o julgamento do assassino, realizado na última semana.

Durante a sessão, ocorrida entre os dias 12 e 14 de maio, no Fórum de Cuiabá, Walfredo Júnior, que presenciou o assassinato de Thiago Ruiz, afirmou que também foi alvo direto dos disparos efetuados por Mário Gonçalves,

Ao Tribunal do Júri, Walfredo relatou que escapou de ser atingido por pouco e precisou recuar para não ser alvejado. Ele declarou que não revelou anteriormente essa circunstância por receio, já que o o assassino era seu colega de profissão. Segundo o Ministério Público, o depoimento é coerente e compatível com as imagens das câmeras de segurança, o que reforça o conjunto probatório.

O MPMT sustenta a denúncia por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Conforme o órgão, a reação violenta ocorreu apenas porque Walfredo tentou separar a briga entre Mário e Thiago. Além disso, a vítima teria sido surpreendida pelo ataque inesperado praticado por um colega de profissão.

Diante disso, o Ministério Público requereu o recebimento da denúncia, a citação do acusado e o prosseguimento da ação penal, com instrução processual e posterior julgamento pelo Tribunal do Júri. O órgão também pede a fixação de indenização mínima de 30 salários mínimos por danos morais causados à vítima e à coletividade, em razão da gravidade dos fatos e do abalo à ordem social.

A denúncia é assinada pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins, Samuel Frungilo, Rodrigo Ribeiro Domingues e Élide Manzini de Campos.

Perdeu o cargo

Ainda nesta segunda-feira (18), o Ministério Público divulgou que a Justiça acolheu os embargos de declaração apresentados pelo órgão e reconheceu a perda do cargo público do policial civil Mário Gonçalves. Na manifestação, o MP relembrou que o próprio réu afirmou, durante interrogatório, que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos, o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional.

Assassinato em conveniência

O crime ocorreu na madrugada de 27 de abril de 2023, dentro da conveniência de um posto de combustível em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá. Câmeras de segurança registraram os investigadores Mário e Walfredo junto ao PM Thiago, conversando e consumindo bebida alcoólica.

Em determinado momento, Mário e Thiago se desentenderam. Na sequência, o investigador retirou a arma da cintura do policial militar, que tentou recuperá-la. Os dois entraram em luta corporal e caíram no chão da conveniência. Walfredo interveio para apartar o confronto e conseguiu separar os envolvidos.

Logo depois, porém, Mário apontou a arma para Thiago, que tentou correr em direção à saída, mas acabou atingido por diversos disparos. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Walfredo também teria sido alvo do investigador, que, segundo a denúncia, disparou duas vezes em sua direção. Os tiros não o atingiram por erro de pontaria e pela rápida reação da vítima, que conseguiu se esquivar. (Repórter MT)