Após oito adiamentos, policial civil acusado de matar PM será julgado nesta terça em Cuiabá
O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, será julgado novamente nesta terça-feira (12), após oito adiamentos. O júri popular está marcado para as 9h. Ele responde por homicídio qualificado, modalidade de homicídio doloso (quando há intenção de matar).
O anúncio do julgamento foi feito no fim do mês de abril pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e confirmado hoje (11) pelo advogado da família da vítima, Rodrigo Pouso, por meio de publicação nas redes sociais. A sessão será presidida pelo juiz Marcos Faleiros, após a juíza Mônica Perri deixar o caso em razão de um desentendimento com a defesa do réu.
O crime ocorreu na madrugada de 27 de abril de 2023, dentro da conveniência de um posto de combustível em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá. Câmeras de segurança registraram Mário e Thiago sentados à mesma mesa, conversando e consumindo bebida alcoólica.
Em determinado momento, o policial militar levanta a camisa e mostra algo na região do tórax. Na sequência, o investigador se aproxima, retira a arma da cintura de Thiago, que tenta recuperá-la, e os dois entram em luta corporal. As imagens mostram o investigador apontando a arma enquanto o PM tenta correr em direção à saída. A vítima foi atingida por diversos disparos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Mário se apresentou à Delegacia de Homicídios no mesmo dia do crime, entregou a arma utilizada e foi autuado em flagrante. Ele ficou preso por cinco meses, até que o desembargador Rui Ramos, do TJMT, concedeu liberdade mediante medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, suspensão do porte de arma e proibição de contato com testemunhas.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), o homicídio foi motivado por uma desconfiança entre os policiais sobre a condição profissional de ambos, se eram policiais de fato. O MP apresentou duas qualificadoras para o crime: motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Júri remarcado
O julgamento do policial civil já foi remarcado pelo menos oito vezes. Em maio do ano passado, a Justiça marcou a sessão do Tribunal do Júri para o dia 4 de julho, mas a defesa do réu pediu a antecipação da data, alegando conflito com outra audiência em Sinop. Com isso, o julgamento foi remarcado para 25 de junho.
Em novo pedido, a defesa solicitou novamente a remarcação em razão da participação em outra audiência.
No dia 3 de julho, Mário Wilson informou à Justiça que sua tornozeleira eletrônica havia se rompido em 28 de junho. Todo o trâmite relacionado à justificativa e à reinstalação do equipamento fez com que o julgamento fosse adiado para 7 de outubro.
Em 24 de setembro, o advogado do réu renunciou ao caso, e o novo defensor, Cláudio Dalledone, só foi constituído em 17 de outubro. Com isso, a sessão foi remarcada para 28 de novembro.
Antes da realização do julgamento, Dalledone solicitou nova remarcação, alegando que havia programado férias entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro. A Justiça adiou novamente a sessão, desta vez para o dia 15.
Diante das sucessivas remarcações, a Justiça chegou a nomear um defensor público para Mário Wilson, com o objetivo de evitar novos adiamentos.
No dia 15, a sessão do Tribunal do Júri começou às 13h. No entanto, no fim da tarde, os ânimos se exaltaram e houve um bate-boca entre a juíza Mônica Perri e os advogados de defesa.
A confusão levou à remarcação da continuidade do julgamento para o dia seguinte, terça-feira (16). Porém, em razão do incidente, a magistrada determinou a dissolução do Conselho de Sentença, com novo sorteio de jurados, e remarcou o julgamento para o dia 17.
O Ministério Público, no entanto, apontou que a defesa protocolou novos elementos no processo e solicitou o adiamento da sessão para que todas as partes tivessem tempo hábil para análise e manifestação. Com isso, o julgamento foi remarcado para o dia 12 de maio de 2026. (Repórter MT)
