Max Russi repudia ‘lista de estupráveis’ na UFMT e anuncia que ALMT acompanhará investigação
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), classificou como “lamentável” o planejamento de uma lista classificando alunas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) como “mais estupráveis”. Em fala no plenário, o parlamentar expressou indignação com a conduta dos estudantes em um ambiente de ensino e garantiu que a Procuradoria da Mulher e a procuradoria da Casa acompanharão o caso para garantir a punição dos responsáveis e a segurança das universitárias.
A manifestação de Russi ocorre após a repercussão de denúncias envolvendo alunos do curso de Direito e de outras graduações da UFMT em Cuiabá. Registros de conversas em aplicativos de mensagens revelaram que os estudantes planejavam a elaboração da lista e proferiam ameaças explícitas de abuso contra colegas de sala.
“Eu quero fazer um informe, uma notícia muito triste, eu preciso comunicar porque isso aqui é lamentável. Vocês imaginam abrir um site de notícias e ler que estudantes da UFMT, ambiente de ensino, de formação de futuros profissionais, criaram uma lista de alunas estupráveis”, declarou Russi.
O deputado trouxe o debate para o âmbito pessoal ao mencionar que sua própria filha ingressará em breve na universidade.
“Fico pensando num absurdo como esse. Não é aceitável que as nossas mulheres, que passaram em universidade federal, que estão realizando os seus sonhos e suas famílias, estejam à mercê de uma violência gratuita”, afirmou Russi. Ele ressaltou que, embora a gestão da UFMT já tenha instaurado um procedimento disciplinar para apurar os fatos e identificar os envolvidos, o Legislativo estadual quer “ir a fundo” na questão.
Durante a sessão, foi mencionada pelo deputado Sebastião Rezende uma possível intervenção da Polícia Federal no caso dentro da universidade. Max Russi defendeu que “medidas duras têm que ser tomadas”, argumentando que a omissão diante de tais discursos pode levar a fatalidades.
A UFMT, por sua vez, manifestou repúdio veemente a qualquer forma de misoginia e violência de gênero, afirmando que a apuração seguirá rigorosamente as normas internas. A gravidade das denúncias é acentuada pelo histórico recente de violência no campus da capital, que no ano passado foi palco do estupro e assassinato de uma mulher.
Além disso, estudantes da instituição relataram medo e insegurança, citando o receio de que a atual greve dos técnicos-administrativos possa causar morosidade na responsabilização dos agressores e na transparência dos processos, que correm em sigilo.
O Centro Acadêmico de Direito (CADI) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) seguem pressionando por punições concretas para combater a banalização da violência sexual e a objetificação das mulheres no ambiente acadêmico. (HNT)