Especialista da ABIN afirma que ataque em escola no Acre pode incentivar outros

Especialista da ABIN afirma que ataque em escola no Acre pode incentivar outros

O especialista em ataques extremistas violentos em escolas do Departamento de Inteligência Externa (DIEX) da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que tem a identidade preservada pela instituição, afirmou que o atentado no Acre pode incentivar outros ataques pelo país. É o chamado “efeito contágio”, fenômeno em que ataques recentes podem servir de gatilho para novos agressores. A declaração é desta quarta-feira (7) no Encontro SISBIN Centro-Oeste 2026.

Os ataques em escolas não são explosões passionais, mas crimes premeditados resultantes de um longo processo de radicalização. Para que a prevenção seja eficaz, a inteligência monitora indicadores que vão desde fatores psicossociais e interações em grupos radicalizados até o acesso a meios de violência, mantendo atenção redobrada em datas simbólicas, que servem de gatilho. Como exemplo, o palestrante discorreu sobre as datas simbólicas como o dia 20 de abril. A data marca o Massacre de Columbine em 1999, quando Eric Harris e Dylan Klebold, dois estudantes, mataram 12 colegas e um professor na Columbine High School, no Colorado, EUA, antes de se suicidarem. Este evento é frequentemente referenciado por autores de outros atentados. O dia foi escolhido pelos jovens por ser o aniversário do líder nazista Adolf Hitler.

O Delegado Denis Alves Pinho também participou evento. Durante o painel de apresentação dele ressaltou a importância de evitar o “efeito contágio”, também conhecido como fenômeno copycat, e assim prevenir que potenciais agressores busquem notoriedade na mídia, já que frequentemente os jovens autores de massacres acabam se tornando figuras heroicas entre comunidades extremistas. 

Denis contou que o pânico social em volta de 20 de abril atingiu seu ápice em 2023, marcado por um clima de terror generalizado que mobilizou tanto a rede privada quanto o pública. Enquanto escolas particulares optaram pela suspensão das aulas e por investimentos emergenciais em aparatos como detectores de metais e portas giratórias, cujos preços chegaram a triplicar devido à alta demanda, o Governo do Amazonas adotou uma decisão estratégica de resistência, mantendo o funcionamento das unidades de ensino. 

Para sustentar essa decisão, o Estado montou uma verdadeira operação de guerra nos bastidores, envolvendo monitoramento aéreo, equipes de inteligência trabalhando durante a madrugada e uma presença policial robusta, porém focada em garantir que o pânico não paralisasse a educação e o cotidiano das famílias. Compreendendo que muitos agressores agem motivados pela busca de notoriedade e pelo desejo de verem seus atos glorificados na mídia ou em redes sociais, há a política de não divulgação das ações. 

Dessa forma, prisões, apreensões de armamentos e frustrações de ataques ocorreram de forma silenciosa e técnica, privando os potenciais criminosos do palco que desejavam. Ao tratar esses incidentes como dados de inteligência em vez de espetáculos midiáticos, o Estado conseguiu interromper o ciclo de imitação e evitar que a publicidade de um atentado servisse de gatilho para novos agressores, priorizando a segurança real em detrimento da percepção superficial gerada pelo alarde público.

ORIGEM

Foi explicado que o fenômeno está fortemente ancorado em subculturas digitais que promovem o ódio e a exclusão. Destacam-se as vertentes de misoginia e masculinismo e o ressurgimento de ideologias neonazistas e aceleracionistas, marcadas pelo racismo e pela obsessão pela violência. Esses discursos encontram terreno fértil tanto em fóruns online anônimos e sem moderação quanto em redes sociais convencionais, onde algoritmos e o uso de memes acabam por dessensibilizar os jovens e glorificar criminosos, por isso é importante ter responsabilidade com o que é divulgado.

O palestrante da ABIN apontou que as plataformas digitais, ao permitirem uma moderação precária, acabam alimentando esse ciclo de radicalização que atinge indivíduos já propensos ao isolamento e ao discurso de ódio. De forma complementar, o delegado destacou a importância da responsabilidade parental no ambiente digital, alertando que o abandono virtual de crianças e adolescentes em plataformas sem moderação é um dos principais gatilhos para a radicalização. Para ele, a segurança escolar é uma “teia” complexa: se um fio se rompe, seja a psicologia, a polícia, a família ou o parlamento, toda a estrutura desaba. (HNT)