PM aposentado é preso em operação contra esquema de lavagem de dinheiro para facção em MT

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Durante as buscas, os policiais apreenderam uma pistola, munições, carregadores, celulares, além de três veículos Foto: Reprodução/Repórter MT

Um policial militar aposentado, identificado como Edinilton Freitas de Melo, de 51 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira (26), em Várzea Grande, durante a Operação Speakeasy, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso.

O mandado de prisão contra ele foi cumprido em uma residência no bairro Canelas. No local, também foi presa a esposa dele, Ângela Maria Santana, de 50 anos. Ambos são investigados por envolvimento com organização criminosa e atuação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção no estado.

De acordo com o boletim de ocorrência, equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, precisaram usar força moderada para entrar no imóvel, após não obterem resposta dos moradores, mesmo após se identificarem.

Durante as buscas, os policiais apreenderam uma pistola, munições, carregadores, celulares, além de três veículos, entre eles uma Toyota Hilux e um Honda HR-V.

Também foram encontrados R$ 18.160 em dinheiro vivo e 84 dólares. Os Reais foram jogados pela janela em uma calha, por Ângela. Conforme o registro policial, a própria suspeita admitiu ter tentado ocultar o dinheiro no local enquanto trocava de roupa durante a ação.

A Operação Speakeasy cumpre 100 ordens judiciais contra um grupo criminoso investigado por lavagem de dinheiro para líderes de facção criminosa. As investigações apontam que o esquema movimentou cerca de R$ 200 milhões entre os anos de 2021 e 2025, por meio de empresas de fachada.

Ao todo, foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão, 35 sequestros de veículos, 29 bloqueios de contas bancárias e 12 suspensões de empresas. As ordens foram autorizadas pela Vara do Juízo das Garantias da Comarca de Cuiabá.

Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Pontes e Lacerda, além de Goiânia (GO) e Barueri (SP).

As investigações começaram em 2024, após a Delegacia de Campo Verde identificar um veículo registrado em nome de uma empresa sendo utilizado por um líder de facção criminosa. A partir disso, a polícia descobriu a ligação entre empresas e o grupo investigado.

Com o avanço das apurações, conduzidas pela GCCO e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), foi identificado que os envolvidos atuavam diretamente na lavagem de dinheiro sob ordens de líderes da facção, presos ou foragidos.

Segundo a polícia, os investigados ostentavam padrão de vida elevado, com carros e imóveis de alto valor, sem possuir renda declarada compatível. O grupo utilizava empresas de fachada, principalmente nos setores de bebidas, joias e eletrônicos, para dar aparência legal aos valores ilícitos.

Os presos e todo o material apreendido foram encaminhados à delegacia para os procedimentos legais cabíveis.

Nome da operação

“Speakeasy” faz alusão aos locais (bares) onde bebidas alcoólicas eram comercializadas de forma clandestina na época da proibição (Lei Seca) nos EUA na década de 1930. Até hoje, os “speakeasy” são conhecidos como bares mais escondidos.

Na operação, a principal forma de lavagem de dinheiro é a criação de empresas que atuam na distribuição de bebidas alcoólicas.

Renorcrim

A operação também faz parte das ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim).

A rede reúne delegados titulares das unidades especializadas e promotores de Justiça dos 26 estados e do Distrito Federal e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de inteligência de combate duradouro à criminalidade. (Repórter MT)