Família pede revisão de condenação após suspeito de matar irmã ser preso e caso pode ter reviravolta

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Marcelo de Oliveira e Silva, foi preso pela morte da ex-namorada Débora Pereira. – Foto: Reprodução.

Familiares de Marcelo de Oliveira e Silva, preso e condenado pelo assassinato da ex-namorada Débora Pereira da Silva, de 17 anos, que teve o corpo jogado nu em um córrego de Cuiabá, em fevereiro do ano de 2018, defendem que o rapaz não é o autor do crime. Eles acreditam que o verdadeiro autor seria Marcos Pereira Soares, preso nessa quarta-feira (11) suspeito de matar a própria irmã, Estefane Pereira Soares, de 17 anos, encontrada morta em condições semelhantes à de Débora.

Essa alegação vem diante de uma fala de Marlene Pereira Soares, mãe de Estefane e também de Marcos, que em entrevista disse que o filho, além de ceifar a vida da irmã e de um vizinho anteriormente, também teria matado Débora anos atrás. A declaração chamou atenção, já que o corpo de Estefane foi encontrado também nu e submerso em um córrego, no mesmo bairro, na capital, onde Débora foi achada morta anos atrás. Coincidentemente, as duas vítimas tinham a mesma idade quando morreram.

Em um texto escrito e compartilhado nessa quinta-feira (12), familiares de Marcelo de Oliveira e Silva relatam dias de dor, angústia e revolta pela prisão do rapaz há 8 anos, que sempre afirmou ser inocente. Segundo elas, a fala da mãe de Marcos deveria ser investigada.

“Dona Marlene relatou que acredita que o próprio filho também seria responsável por matar a tia, Débora Pereira da Silva. Na época, o caso ganhou repercussão quando um ex-namorado da vítima foi acusado e condenado pelo crime, sob a suspeita de não aceitar o término do relacionamento. Estamos vivendo dias de dor, angústia e revolta. Um pai de família, trabalhador, homem que sempre lutou para sustentar seus filhos, hoje está preso. Queremos que todos os fatos sejam investigados com profundidade. Nenhuma família merece viver com essa dor e essa incerteza”, diz trecho da publicação.

Marcos foi preso nessa quarta-feira (11) e deve responder pelo estupro e assassinato da irmã, de 17 anos. - Foto: Reprodução

Marcos Pereira Soares foi preso nessa quarta-feira (11) investigado pelo assassinato da irmã, Estefane Pereira Soares, de 17 ano, achada morta em um córrego. – Foto: Reprodução

A reportagem do Primeira Página entrou em contato com a Polícia Civil para solicitar se, diante dos fatos recentes, existe a possibilidade de uma nova investigação ou reabertura do inquérito que investigou Marcelo de Oliveira, que cumpre pena pela morte de Débora. Contudo, até a publicação desta reportagem, não obteve retorno.

Em questionamento semelhante ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), sobre uma possível revisão do processo, a reportagem do PP foi informada de que, para que isso ocorra, é preciso que a parte interessada recorra ao Poder Judiciário.

“Pelos registros do processo, o réu MARCELO DE OLIVEIRA DA SILVA foi submetido a todas as etapas previstas na legislação penal. O caso passou por investigação policial, houve oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, decisão de pronúncia e posterior julgamento pelo Tribunal do Júri.

Após a condenação, a defesa apresentou recurso ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que não acolheu o pedido. Diante desse cenário processual, caso a defesa entenda que há elementos novos ou erro na decisão, o caminho jurídico previsto é o ingresso de revisão criminal, que pode levar à análise do caso pelo Tribunal e, se for o entendimento da Justiça, à eventual realização de um novo julgamento”, diz trecho da nota.

Morte de Débora

A adolescente Débora Pereira da Silva, de 17 anos, moradora do Bairro Três Barras, em Cuiabá, desapareceu em 4 de fevereiro de 2018. No dia 5, o irmão da jovem publicou uma mensagem nas redes sociais sobre o desaparecimento da irmã, junto a um pedido de ajuda, caso alguém tivesse notícias dela.

No dia 6 de fevereiro, dois dias depois do desaparecimento, o corpo da jovem foi encontrado por moradores a cerca de 100 metros da casa onde ela morava, jogado em um córrego. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a adolescente foi morta por asfixia.

No dia 20 de junho de 2018, o ex-namorado de Débora, o jovem Marcelo de Oliveira da Silva, de 19 anos, foi preso. Segundo a Polícia Civil, ele teria discutido e ameaçado a vítima na frente dos amigos dela, um dia antes de ela ser vista pela última vez.

Conforme a polícia, Débora e Marcelo moraram juntos por cerca de um ano e, quando o crime foi cometido, já estavam separados e ela vivia novamente com os pais. Marcelo negou ter matado a jovem.

Em março de 2023, ele foi julgado e condenado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato de Débora.

Agora o caso pode ter uma reviravolta diante de afirmações da mãe de Marcos Pereira Soares, preso nesta quarta-feira (11) suspeito do feminicídio da irmã, Estefane Pereira Soares, de 17 anos, encontrada morta nas imediações em córrego, com sinais de violência sexual.

Marcos Pereira Soares foi preso suspeito pela morte da irmã apenas uma semana após deixar a cadeia. - Foto: ReproduçãoMarcos Pereira Soares foi preso suspeito pela morte da irmã apenas uma semana após deixar a cadeia. – Foto: Reprodução

Familiares dos dois apontam que Marcos teria sido a última pessoa ver a irmã e que ela teria saído de casa acompanhada dele antes de desaparecer. Seu corpo foi encontrado na noite de quarta-feira (11) por vizinhos em um córrego, com uma pedra sobre ele. Além disso, é investigado também se Marcos, que estava preso pela morte de um vizinho, teria sido solto por falha no sistema de Justiça. (Primeira Página)