A Polícia Civil de Goiás divulgou, nesta quinta-feira (19), imagens que mostram o instante em que a corretora Daiane Alves Souza foi abordada no subsolo de um prédio em Caldas Novas (GO).
O vídeo, recuperado durante as investigações, foi apresentado em coletiva à imprensa e se tornou peça-chave para esclarecer o homicídio.
Entenda o crime
O crime aconteceu em 17 de dezembro de 2025. Daiane desapareceu após descer ao subsolo do condomínio onde morava para verificar um problema no quadro de energia. Cerca de 40 dias depois, o corpo dela foi localizado em uma área de mata.
Nas gravações, a corretora aparece saindo do elevador e caminhando em direção ao local onde ficam as instalações elétricas. Em determinado momento, surge o síndico do prédio, Cléber Rosa de Oliveira, usando luvas — detalhe que, segundo a polícia, indica planejamento prévio.
De acordo com o delegado João Paulo Mendes, o suspeito também teria estacionado a caminhonete estrategicamente, com a capota aberta, próxima ao ponto onde pretendia render a vítima.
As investigações apontam que os disparos não ocorreram dentro do edifício, mas possivelmente na área de mata onde o corpo foi encontrado. Conforme o superintendente da Polícia Científica, Ricardo Matos, a arma utilizada foi uma pistola calibre .380 semiautomática. Daiane foi atingida por dois tiros — um projétil ficou alojado na cabeça e o outro atravessou o lado esquerdo do corpo.
Cléber e o filho dele foram presos na madrugada de 28 de janeiro. O síndico indicou o local onde o corpo estava escondido, mas optou por permanecer em silêncio quanto à dinâmica do crime durante o interrogatório.
Antes do desaparecimento, vítima e suspeito já tinham histórico de conflitos. Documentos obtidos pela imprensa apontam que Daiane teria denunciado o síndico por perseguição entre fevereiro e outubro de 2025, após desentendimentos iniciados no fim de 2024.
Segundo a promotoria, o impasse começou quando a corretora alugou um apartamento para duas famílias, totalizando nove moradores — número acima do permitido pelo regulamento interno do condomínio administrado por Cléber.
No dia do desaparecimento, Daiane deixou o apartamento após perceber a interrupção no fornecimento de energia. Imagens mostram que ela conversou com um vizinho no elevador sobre o problema.
O registro é interrompido por cerca de dois minutos e, quando volta, a corretora aparece sozinha retornando ao elevador. Ela ainda olha para a câmera de segurança antes de descer no primeiro subsolo. Depois disso, não foi mais vista.
Com a divulgação das imagens e a conclusão do inquérito, a Polícia Civil detalhou oficialmente os elementos que sustentam a acusação contra o síndico, apontado como autor do crime. (Folha do Estado)
Veja o vídeo:





