Um escândalo atinge a Polícia Civil de Sorriso, cidade de Mato Grosso. Mensagens de um suposto grupo interno intitulado “DHPP/Assuntos Oficiais” usado por policiais da Divisão Especializada, que teriam vazado após um aparelho oficial da unidade ter sido roubado, revelam um um possível submundo de violência e desvio de conduta, onde o termo “amor de grade” e diálogos que indicam possível abuso de detentas eram tratados com naturalidade.
O material, que veio a público após o suposto furto do dispositivo, já mobiliza a Corregedoria da Polícia Judiciária Civil do Estado (PJC-MT) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
Prints apontam como seria o tratamento dado a mulheres detidas. Em um dos registros, um participante sugere que uma detenta seja abusada sexualmente: “Dá uma escaldada nessa piranha, rapaz, pode comer”.
Reprodução

Diálogos vazados sugerem que policiais cometiam abusos sexuais contra detentas em Sorriso.
Investigador indiciado
O caso veio à tôna após denúncia feita por uma mulher custodiada que denunciou ter sido estuprada pelo investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos.
Ele foi preso e nesta sexta-feira (6) a Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito que apurou o crime. O servidor foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade, após exames periciais confirmarem o abuso sexual.
Além dos prints, há também filmagem da tela do celular. Em uma das trocas de mensagens, integrantes do grupo discutem se a morte de um criminoso teria ocorrido em um confronto real ou se teria sido resultado de um confronto armado por policiais.
Um dos participantes comenta que “mataram nosso menino aí em Sorriso”. Na sequência, um suposto delegado, por meio de mensagem, afirma acreditar que a morte se trata de confronto e não de execução, já que, conforme o áudio, “isso aqui tá com cara de que foi confronto mesmo, porque no meio do Poção, sem testemunhas, o cara matar um e trazer dois vivos deve ter sido confronto de verdade mesmo, porque se fosse padrão, era pra tá os três pro lado”.
Outro lado
A equipe do Repórter MT entrou em contato com a Polícia Civil que informou que o celular institucional foi furtado na Delegacia de Sorriso no mês de outubro de 2025 e que foi instaurado procedimento investigativo para apurar a autoria do furto, com ciência do Ministério Público. A instituição também afirmou que, caso as mensagens sejam verdadeiras, elas não teriam relação com o caso de estupro denunciado por uma mulher em dezembro de 2025.
Segundo a Polícia Civil, a Corregedoria-Geral irá apurar a autenticidade dos prints, o contexto das conversas e eventual desvio de conduta de policiais mencionados no material. (Repórter MT).
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