
A cabeça e as mãos da estudante de Enfermagem Rosimeire Maria da Silva, 25, assassinada por estrangulamento e picotada na banheira de um motel, em Juscimeira (157 km ao Sul de Cuiabá), no dia 13 de abril de 2004, nunca foram encontradas.
O advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, que, na época, se identificava como Francisco De Ângelis Vaccari Lima, chegou a apontar o local onde supostamente havia descartado os membros da amante.
O ponto seria o rio Aricazinho, na BR-363, na altura do município de Santo Antônio de Leverger (27 km ao Sul da Capital).
O descarte teria sido feito no retorno dele para Cuiabá, após a “desova” do corpo da vítima sob a ponte do Rio São Lourenço, na divisa dos municípios de Jaciara e São Pedro da Cipa.
Equipes do Corpo de Bombeiros, atendendo solicitação da Delegacia de Homicídios de Cuiabá, realizaram buscas durante dias seguidos no ponto e entorno, mas nada foi encontrado.
Já o corpo, a polícia encontrou. E Rosimeire, mesmo sem a cabeça e as duas mãos, foi facilmente identificada pela mãe.
A tatuagem que a estudante tinha nas costas tornou-se fundamental ao reconhecimento.
Além, claro, de outras características físicas que a mãe conhecia bem, e do laudo da Polícia Científica.
Uma equipe do DIÁRIO acompanhou o resgate do corpo de Rosimeire.
A presença de uma mulher morta nas condições descritas, nua e sem a cabeça e as mãos, chocou quem esteve no local.
Além disso, atraiu a presença de centenas de populares.
Um policial que atuou nas investigações do assassinato de Rosimeire revelou que, horas antes de o corpo de Rosimeire ser localizado, Paulo Roberto chegava para depor na Delegacia de Homicídios, em Cuiabá.
Até então, ele ainda era Francisco De Ângelis Vaccari Lima, a identidade falsa que usou por décadas.
Ao levá-lo a depor, a polícia já sabia, por exemplo, que ele havia contratado um ex-policial para seguir os passos da amante e descoberto uma suposta traição.
Com a localização do corpo e o reconhecimento simultâneos ao interrogatório dele, Paulo Roberto recebeu voz de prisão.
Enquanto tomava o depoimento, sem que o suspeito soubesse, a polícia agilizava a identificação do corpo.
Ao ser informado que estava sendo preso pela morte de Rosimeire, ele quis fugir da DHPP.
Ao contrário do que sempre se noticiou, ele não tentou se matar saltando pela janela do prédio onde funcionava a delegacia, na Rua Miranda Reis, no bairro Poção.
Na verdade, usou a janela para acessar o cano de escoamento de água pluvial.
Acontece que as instalações precárias do prédio o impediram de escorregar até o chão.
O cano não resistiu ao peso do suspeito e desprendeu da parede
.Foi assim que ele acabou caindo sobre o corrimão da escada que levava à unidade central de registro de BO.
Com fraturas nas pernas, lesão no baço e escoriações, Paulo Roberto passou por um longo período de internação hospitalar.
Com a prisão dele, veio a confissão do assassinato da amante, a descoberta de sua verdadeira identidade e do homicídio do delegado carioca Eduardo da Rocha Coelho, ocorrido em 1992.
Ele pegou 19 anos de prisão pela morte de Rosimeire e mais 13 anos no caso do assassinato do delegado.
NOVA PRISÃO – Paulo Roberto, hoje com 68 anos, está preso pelo atropelamento que matou a idosa Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 71 anos, ocorrido no dia 20 de janeiro deste ano, em Várzea Grande.
O impacto da batida foi tão forte que o corpo da idosa atravessou o canteiro da Avenida da FEB, sendo atingido e divido ao meio por outro carro.
SEGURANÇA MÁXIMA -Na semana passada, Paulo Roberto Gomes dos Santos, teve determinada sua transerência para a Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, a Mata Grande, em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá), após ter a prisão em flagrante convertida em preventiva.
A decisão é do juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, onde Santos atropelou e matou a idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, que tinha 71 anos, no último dia 20.
Antes de se tornar advogado, Paulo Roberto Gomes dos Santos atuou como policial militar e, depois, como investigador da Polícia Civil, no Rio de Janeiro.
Em 1998, foi condenado pelo homicídio do delegado Eduardo da Rocha Coelho, morto com um tiro, durante uma discussão dentro de uma viatura policial.
Após a condenação, ele fugiu do Estado com documentos falsos.
O delegado foi atingido com um tiro na nuca.
Paulo passou a viver em Mato Grosso, onde utilizou, por um longo período, o nome falso de Francisco de Ângelis Vaccani Lima.
O caso que o levou à notoriedade nacional ocorreu em 2004, com a morte da estudante Rosimeire Maria da Silva, de 19 anos, em Juscimeira (147 km ao Sul de Cuiabá).
A jovem, que mantinha um relacionamento amoroso com o advogado, foi assassinada em um motel, teve o corpo esquartejado e partes foram descartadas em rios diferentes.
Por esse crime, Paulo Roberto foi condenado a 19 anos de prisão, além dos 13 anos já impostos pela morte do delegado. (Diário de Cuiabá)




