
Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, acusada de aplicar golpes usando o nome do próprio filho para usar o dinheiro em apostas on-line, afirmou que foi agredida por ele, pediu medida protetiva e disse que vai processá-lo. O filho dela é Dr. Thiago (União), prefeito de Nossa Senhora do Livramento (a 42 km de Cuiabá).
Ela foi alvo da Operação Vínculo Quebrado, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na terça-feira (27), e foi submetida ao uso de tornozeleira eletrônica, teve o passaporte apreendido, foi proibida de se cadastrar em sistemas de apostas e teve as contas bancárias bloqueadas. A justiça também determinou o bloqueio e sequestro de valores em contas bancárias em nome dela, até o limite de R$ 1 milhão, que é o valor aproximado do dano que ela causou às vítimas.
Para Adriana, tudo não passa de perseguição. Além disso, ela negou que o caso tenha relação com jogos on-line.
“Eu decidi quebrar o silêncio porque estou sofrendo uma perseguição do meu filho, porque tudo isso que está acontecendo não é por causa de jogos e nem de dívida, e ele começou a me procurar, me agredir com palavras, com ligações sempre ofensivas, e aí eu resolvi quebrar esse silêncio para falar a verdade sobre o que está acontecendo”, disse em entrevista ao programa SBT Comunidade.
Adriana afirmou ainda que vem vivendo uma vida difícil por causa do filho e alegou não ter paz. Ela disse que o prefeito chegou a tentar interná-la.
“Eu tô vivendo uma vida super difícil por causa dele, porque eu não tô podendo ter paz, ele manda pessoas atrás de mim, ele queria me internar compulsoriamente para preservar a imagem política dele”, disse.
Adriana também afirmou que Dr. Thiago manda pessoas para persegui-la e que foi coagida até dentro de uma delegacia, enquanto registrava queixas contra ele. “Dentro da própria delegacia, ele mandou uma pessoa ir lá me coagir. Eu tô vivendo essa perseguição.”
Ainda em entrevista ao SBT Comunidade, Adriana Lunguinho acusou o prefeito de administrar a vida dela, em vez da prefeitura, e negou estar prejudicando a carreira política do filho.
“Não sou eu que estou prejudicando ele, é ele que está se prejudicando”, acrescentou.
De acordo com as investigações, Adriana enganava as vítimas dizendo que os valores captados seriam investidos em empresas supostamente prestadoras de serviços ao município, estratégia utilizada para conferir credibilidade à captação e atrair investidores.
Ela convencia as pessoas de que administrava empresas supostamente vencedoras de licitações municipais, mas, na realidade, tratava-se de uma fraude.
Segundo o delegado André Luis Prado Monteiro da Silva, responsável pelas investigações, considerando apenas as vítimas que formalizaram representação criminal, o prejuízo ultrapassa R$ 913 mil. Pelo menos oito vítimas registraram queixa contra ela.
As investigações apontam que os golpes teriam sido praticados até o final de 2024 e que Adriana estava severamente endividada em razão de vício em jogos on-line.
Ela obteve recursos com vítimas e possíveis agiotas e, para reduzir as cobranças, pagava parte das dívidas a credores alternados até que, no final de 2025, não conseguiu mais sustentar a farsa.
Adriana foi indiciada pelos crimes de estelionato e falsa identidade, já que teria utilizado indevidamente o nome do próprio filho para conferir legitimidade às abordagens e viabilizar a prática das fraudes. (Repórter MT)
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