O advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, preso na última terça-feira (20) pelo atropelamento que dilacerou e matou a idosa Imes Dalmis Mendes da Conceição, de 72 anos, que era servidora aposentada, foi transferido para o presídio Major PM Eldo Sá Corrêa, a “Mata Grande”, em Rondonópolis. Após passar por audiência de custódia, Paulo foi transferido diante do seu quadro de saúde e porque na Mata Grande deveria possuir Sala de Estado Maior, tipo de cela especial para advogados.
Paulo passou por audiência de custódia um dia após o atropelamento, ocasião em que pediu prisão domiciliar alegando problemas de saúde. Solicitação, no entanto, foi rejeitada pelo juiz Pierro de Farias Mendes, que destacou que ele ostenta histórico de fraude documental para ocultar sua identidade e se eximir de responsabilização penal dos crimes anteriores que cometera: assassinou a amante em 2006 e executou um delegado em 1998.
Paulo Roberto, que conduzia uma Fiat Toro, responderá pelo crime de homicídio doloso por dolo eventual e fuga do local de sinistro. O atropelamento ocorreu na Avenida da FEB, onde a vítima estava atravessando a avenida e foi atingida pelo carro. O corpo foi jogado para o outro lado da via, momento em que foi novamente atropelada por um veículo Fiat Strada.
Na audiência de custódia, o magistrado converteu a detenção em flagrante em prisão preventiva fundamentando a medida na gravidade da conduta e no histórico do réu em utilizar documentos falsos para evitar a justiça. Na ordem, o também ressaltou que Paulo demonstrou desprezo pela vida humana, ao atropelar a idosa em alta velocidade e se evadir do local sem qualquer tentativa de socorro.
A defesa solicitou a prisão domiciliar alegando problemas de saúde como diabetes e hipertensão, porém o pedido foi negado por falta de provas da gravidade atual das doenças. Apesar da manutenção da custódia, o juiz ordenou que o acusado seja preso em unidade carcerária capaz de garantir o tratamento médico necessário. Diante disso, ele foi transferido para a Mata Grande, onde ficará recolhido, pelo menos até então, na cela 6 da Ala A.
Paulo teve audácia de dizer em depoimento ao delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), que foi a idosa que “atropelou” o seu carro. A oitiva foi realizada na tarde desta terça-feira (20).
Em 2006, ele foi condenado a 19 anos de prisão por matar a amante, Rosimeire Maria da Silva, que foi decapitada. Segundo denúncia do Ministério Público (MPMT), o crime aconteceu na noite do dia 13 de abril de 2004. À época, ele usava o nome falso de Francisco de Ângelis Vaccani Lima, no período em que manteve relacionamento com a estudante.
Vaccani, como o advogado era conhecido em 2004, era empresário do ramo de auto-peças em Lucas do Rio Verde e casado, mas ‘namorava’ Rosimeire em Cuiabá. Desconfiado de estaria sendo traído, ele contratou um detetive particular para investigar a amante. Sob a suspeita de traição, viajou com a jovem de 19 anos para Juscimeira.
Em um motel na cidade, executou Rosimeire asfixiada na banheira do quarto. Em seguida, cortou-lhe as pontas dos dedos e sua cabeça para dificultar a identificação. O corpo da garota foi jogado no Rio São Lourenço e a cabeça no Rio das Mortes, mas nunca foi encontrada.
Em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Paulo Roberto pulou da janela do antigo prédio, altura do 4º andar, na tentativa de fugir, mas acabou sofrendo fraturas e teve de passar um tempo no Pronto-Socorro de Cuiabá.
Durante a investigação constatou-se que ele usava identidade falsa e já era procurado da polícia por ter matado um delegado com um tiro na nuca à queima roupa em 1998, no Rio de Janeiro. O crime ocorreu durante uma discussão na viatura da polícia, Paulo, que era policial civil, estava no banco de trás e atirou na nuca do delegado Eduardo da Rocha Coelho.
Ele foi preso em flagrante pelo colega de serviço e encaminhado à Polinter da cidade de Araruama, mas fugiu, vindo para Mato Grosso. Ainda em 2006, ele foi condenado a cumprir 13 anos de prisão pelo assassinato do delegado.
Em 2014, Paulo Roberto foi excluído dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB/MT). O processo disciplinar tramitava na OAB/MT desde ano de 2010, pelo fato de Santos ter sido condenado nos dois assassinatos.
Entretanto, conforme o sistema da OAB nacional, ele constava como advogado da OAB seccional de Mato Grosso, inclusive atuando e despachando em processos recentemente. Agora, com a ordem de Gisela Cardoso, presidente da OAB-MT, ele foi suspenso da advocacia e aguarda entendimento colegiado do Tribunal de Ética. (Olhar Jurídico/Olhar Direto)





