Sema proíbe Santuário de Elefantes em Mato Grosso de receber novos animais

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A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) suspendeu a autorização de funcionamento e proibiu temporariamente o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (a 68 km de Cuiabá), de receber novos animais. A medida foi adotada após a entidade anunciar a morte de duas elefantas africanas, Kenya e Pupy, em um intervalo de menos de três meses.

Conforme nota emitida pela Sema, o SEB possui licença e autorização vigentes para funcionamento. No entanto, a suspensão permanecerá válida até que a instituição apresente informações e documentos sobre o cumprimento dos protocolos de biossegurança e de manejo dos animais. O material solicitado será utilizado para esclarecer as circunstâncias das mortes.

A notificação foi expedida pela Secretaria no dia 23 de dezembro. Com isso, o Santuário tem prazo de 60 dias para apresentar as informações e documentos requeridos pelo órgão ambiental.

Dias antes da notificação, em 19 de dezembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que apurava as mortes de animais no SEB, em Mato Grosso. Segundo o órgão, a investigação teve início após a morte de quatro elefantes que viviam no santuário e faleceram em menos de um ano após a transferência para o local, sendo o caso mais recente o da elefanta Kenya.

Kenya morreu no dia 16 de dezembro. Ela havia sido transferida do antigo zoológico de Mendoza, na Argentina, para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, em julho deste ano. O animal enfrentava problemas respiratórios e dores nas articulações. Após décadas vivendo quase isolada, passou por um processo gradual de socialização no Brasil e chegou a estabelecer vínculo com Pupy, que também morreu neste ano.

A morte de Pupy foi comunicada em outubro. Ela também veio da Argentina. À época, foi informado que a elefanta apresentava desconforto gastrointestinal havia alguns dias e colapsou após expelir cerca de 1,5 kg de pedras escuras, ficando visivelmente debilitada.

Diante das mortes e de especulações sobre os cuidados com os animais, o Santuário se manifestou nas redes sociais, informando que recebe elefantes que passaram décadas em cativeiro e que, ao chegarem ao local, já apresentam diversas comorbidades. A entidade afirmou que oferece todos os cuidados necessários, visando garantir qualidade de vida aos animais.

“Sabemos que muitos de vocês apoiam o santuário, compreendem o impacto devastador do cativeiro e reconhecem que as elefantas do Santuário de Elefantes Brasil recebem um nível de cuidado veterinário que não é oferecido em nenhum outro lugar da América do Sul”, diz trecho da publicação.

O SEB também garantiu que as duas mortes não têm relação entre si e que seguirá atuando com transparência, prestando todas as informações e entregando os documentos solicitados aos órgãos competentes. A instituição reforçou ainda que parte das críticas e especulações vem de pessoas que buscam desmerecer o trabalho desenvolvido.

“Existem aquelas que parecem celebrar a morte de elefantes que viviam em santuários, pois isso lhes dá a oportunidade de criar ou reforçar campanhas de propaganda contra a instituição do santuário e contra todos que trabalham para fortalecê-la”, pontuou.

Veja a nota da Sema na íntegra:
“A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) suspendeu cautelarmente a autorização de funcionamento do Santuário de Elefantes Brasil, impedindo a entidade de receber novos animais até a devida elucidação dos fatos.

Esclareceu que o empreendimento possui licença e autorização vigentes e que a medida de suspensão deve se estender até a obtenção e análise das informações acerca do cumprimento dos protocolos de biossegurança e dos padrões éticos de manejo.

A notificação foi expedida no dia 23 de dezembro. A Associação Santuário de Elefantes Brasil tem um prazo de 60 dias para apresentar as informações e documentos solicitados pelo órgão ambiental.” (Repórter MT)