O ex-governador de Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos causou um impacto maior na economia americana do que no Brasil. Para ele, a redução das taxas não foi para “agradar” brasileiros, mas, sim, aliviar o bolso dos Estados Unidos.
Durante o 3º Congresso Cerealista Brasileiro, realizado no Malai Manso Resort, em Chapada dos Guimarães, Maggi conversou com a imprensa e afirmou que havia acabado de voltar de viagem ao país norte-americano, onde, segundo ele, os efeitos da inflação estão diretamente ligados às sobretaxas aplicadas ao longo de 2025.
A tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros, que passou a valer em agosto, marcou o ápice de uma escalada comercial iniciada em fevereiro e que misturou tensões econômicas e diplomáticas. Desde o primeiro aumento sobre ferro e aço até a divulgação de mais de 694 itens isentos no fim de julho, o conflito evoluiu para um impasse que atinge setores estratégicos da indústria e do agronegócio, e que afetou aproximadamente 35% das exportações brasileiras aos EUA.
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada das tarifas adicionais de 40% sobre a carne bovina exportada pelo Brasil, que volta a trabalhar com a taxa de 26,4%.
Ao comentar os efeitos das medidas, Maggi afirmou que o Brasil foi menos atingido do que se previa, especialmente Mato Grosso, que, segundo ele, “não sofreu tanto” com as tarifas. No entanto, destacou que o impacto para os consumidores americanos foi severo.
“Eu vim dos EUA, cheguei ontem à noite, e a inflação lá pegou. Pegou forte na alimentação, justamente onde o Brasil fornece muita coisa. Essa redução das tarifas não foi para agradar o Brasil, mas sim a população deles, que está pagando caro demais”, avaliou Maggi, que também é ex-ministro da Agricultura.
O megaprodutor avaliou que o mercado acabou pressionando o governo Donald Trump a recuar. “Acho que é o jogo do mercado. Ele se ajusta sozinho. Quando os preços sobem demais, não adianta decreto. A população estava pagando um preço que não deveria, e o governo percebeu que algo estava errado.”
Ele acrescentou que a diplomacia segue fundamental no processo, mas reforçou que a reação do próprio mercado americano foi decisiva para a flexibilização das tarifas.
Tarifaço político
Quando o presidente americano impôs a tarifa de 50% ao Brasil, citou motivações comerciais e também políticas, acusando o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Enquanto isso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, já estava nos Estados Unidos e dizia negociar com o governo americano penalidades ao Brasil e aos ministros, caso não houvesse anistia ao pai.
Semanas depois, Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão pelo STF por sua participação em uma tentativa de golpe de Estado, enquanto Trump e Lula começaram a dialogar. Por fim, a tarifa foi reduzida, Trump não demonstrou solidariedade ao liberal, o deputado federal segue em território americano atacando quem é contrário aos ideais do seu grupo. (Gazeta Digital)







