MP quer júri neste ano e estima pena de até 90 anos de prisão para Nataly

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) espera que a bombeira civil Nataly Helen Martins Pereira – ré confessa pelo homicídio bárbaro contra a adolescente grávida Emilly Azevedo Sena – passe pelo Tribunal do Júri ainda neste ano. Segundo o promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, que assina a denúncia, o cálculo aproximado da pena de Nataly pode chegar a 90 anos. A ré encontra-se presa no Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, na Capital.

Nataly responde por feminicídio, tentativa de aborto, ocultação de cadáver, fraude processual, dar parto alheio como seu próprio, subtração da criança, falsificação de documento particular e uso de documento falso. No início da tarde desta quarta-feira (02), Rinaldo explicou que os crimes serão processados em duas fases. A primeira inicia com a audiência de instrução, onde serão ouvidas as testemunhas e Nataly.

“E no segundo momento vai ser, a gente espera, o julgamento propriamente dela no Tribunal do Júri. Aí no caso ela vai ser julgada pela população, são sete pessoas e esperam por esses oito crimes, porque em cada um desses crimes tem prova”, declarou Rinaldo.

Com relação à pena de Nataly, o promotor disse que chegou a fazer um cálculo com base nas penas máximas de cada um dos crimes.

“Então, por exemplo, feminicídio é uma pena de 20 a 40 anos, mas ele tem uma causa de redução de pena de um terço a metade. Então, se a gente pegar 20 a 40 anos, 40 anos com o meio, com a metade, seriam 60 anos. Fiz isso em relação aos outros crimes, seriam mais de 90 anos. É claro que precisa que o Tribunal do Júri reconheça esses crimes, que vão ser sete pessoas da população, se der tudo certo. E também que, ao aplicar a sentença, ela chegue nesse número. Mas é uma estimativa isso”, afirmou.

O caso

Emelly Azevedo Sena desapareceu no dia 11 de março, por volta das 12h, após sair de casa, no bairro Eldorado, em Várzea Grande e avisar a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupas de bebê. O celular parou de funcionar e a família saiu em procura dela, realizando um boletim de ocorrência às 22h.

Na quarta-feira à noite, Nataly e o marido deram entrada no hospital com uma bebê, alegando que o parto teria sido realizado na residência. A equipe médica desconfiou do caso, pois a mulher não tinha indícios de puerpério. Exames apontaram que a mulher não esteve grávida recentemente e que a criança seria de outra mãe.

No dia 13 pela manhã, o corpo de Emelly foi encontrado em uma cova rasa, com pernas e braços amarrados, asfixiada com um fio no pescoço e um corte de faca na barriga.

Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a bebê que estava com Nataly era a filha da adolescente. Quatro suspeitos foram conduzidos, entre eles o marido de Nataly, mas os três foram liberados, tendo permanecido presa apenas a mulher.

A investigação aponta que Emelly ainda estava viva quando teve o bebê arrancado do ventre. Os cortes foram precisos e certeiro no útero, não tendo atingido outros órgãos. Nataly confessou em  depoimento que, antes de matar Emelly, pediu desculpas e disse que cuidaria da bebê. (Fonte: RD News)